quarta-feira, setembro 30, 2026

O "e" que impede a mudança

Mais um texto curto e estimulante, além de certeiro, de Seth Godin em "Say what you want"

"The problem is with the "and." (Often a 'but' in disguise.)

I want to make the art I have in my head, and I want the market to love it.

I want to have the wedding of my dreams, and I don't want to worry about money, and I want my cousins and friends to enjoy every bit of it.

I want to take few risks and I want extraordinary returns.

I want to have a difficult conversation and I want there to be no tension, stress or possible downsides.

We hesitate to admit what we really want because when the 'and' shows up, we can see we're being unreasonable. It's easier to simply hope and dream.

Strategic thinking doesn't ignore the systems all around us, or the trade-offs that scarcity and competition require. Instead, it embraces them."

Ler e reconhecer uma frase que ouço muitas vezes nas empresas: "Queremos abraçar a mudança e continuar a servir todos os clientes, com os mesmos processos e sem perder nenhuma encomenda." O problema, como escreve Seth, está naquele "e": pode esconder a recusa de aceitar o custo da escolha.

Costumo perguntar se a mudança que chegou do exterior é passageira ou se veio para ficar. Se é passageira, acomodamo-la; se é estrutural, abraçá-la exige repensar a forma de trabalhar. É aqui que entram os trade-offs de que tenho escrito: servir melhor certos clientes pode obrigar-nos a deixar de fazer coisas que ainda hoje nos dão trabalho e facturação.

Dizer "sim" ao futuro também implica dizer alguns "nãos" ao presente. Sem essas escolhas, "abraçar a mudança" é apenas uma maneira simpática de pedir ao modelo antigo que dure mais um pouco. 




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