segunda-feira, agosto 24, 2026

Polarização do mercado, ao vivo e a cores.

Recordo de 2013: o sucesso da Bimby em Portugal, no pico do período negro da economia interna durante a troika. 

Esta recordação foi desencadeada por um artigo no The Times de ontem, "Some of us still have pots of money for a £469 Le Creuset, despite the cost of living crisis". Leio quase diariamente pelo menos um jornal inglês e, como por vezes comento aqui, a situação económica não é nada positiva.

O artigo mostra que uma marca forte pode funcionar como uma espécie de isolamento, não de imunidade, contra uma crise económica. A Le Creuset vende produtos que têm alternativas funcionalmente semelhantes por uma fracção do preço, mas os consumidores não estão apenas a comprar uma panela. Compram design reconhecível, durabilidade, tradição, pertença e até um objecto de status. Compram uma marca e tudo o que lhe está associado.

A crise não desapareceu: fragmentou o mercado. Muitos consumidores procuram o preço mais baixo, enquanto outros continuam dispostos a pagar muito mais por produtos aos quais atribuem significado. Quem tende a sofrer é a marca intermédia, simultaneamente demasiado cara para competir pelo preço e pouco diferenciada para justificar um prémio. É o velho fenómeno da polarização do mercado.



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