Este artigo de EY merece reflexão, "Job cuts in industry continue despite slight increase in sales".
O desemprego industrial na Alemanha alastra como fogo de Verão:
E ainda:- "Consumer insolvencies March 2026: +18.9% compared to March 2025"
- "1. Quarter 2026: 6.5% more corporate insolvencies and 6.0% more consumer insolvencies than in the first quarter of the year. Quarter 2025"
A Alemanha não está apenas a perder empregos industriais. Está a descobrir, dolorosamente, que uma parte do seu velho modelo deixou de funcionar. Energia barata vinda da Rússia, China como grande cliente, automóvel premium como locomotiva, Mittelstand exportador e segurança garantida pelos Estados Unidos. Durante décadas, isto pareceu uma máquina perfeita. Agora, a máquina range.
Um possível cenário será o de uma reindustrialização selectiva. A Alemanha aceita que nem toda a indústria merece ser salva. Fecha capacidade antiga, corta emprego em actividades maduras, desloca produção intensiva em energia ou mão-de-obra, e concentra recursos no que ainda pode dar vantagem: automação, engenharia avançada, química especializada, farmacêutica, equipamento eléctrico, defesa, software industrial e tecnologias críticas.
Isto não é decadência pura. É uma cura sem anestesia. Menos volume, talvez menos fábricas como as conhecemos, mas mais produtividade, mais capital por trabalhador, mais conhecimento incorporado. A Alemanha deixa de tentar defender cada posto de trabalho industrial e passa a tentar defender a sua posição nas partes nobres da cadeia de valor.
Portugal pode ganhar com isto, mas só se perceber que a oportunidade não está em ser barato. Está em ser fiável, rápido, competente, capaz de executar, capaz de receber produção deslocada, fornecedores industriais, centros de engenharia, automação, componentes eléctricos, metalomecânica fina e serviços industriais de maior valor. Pensando melhor, ... isto só se houvesse capital nacional. Assim, temos de esperar que o IDE possa escolher o país.
Quando o centro industrial europeu se reorganiza, há sempre trabalho que muda de sítio. A questão é saber se Portugal quer apanhar as sobras ou disputar uma posição na nova arquitectura. Porque a reindustrialização alemã, se acontecer, não será apenas alemã. Será uma recomposição da cadeia de valor europeia.



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