Ontem, o JN publicou um artigo intitulado "Norte lidera descida do desemprego com o têxtil e o calçado" onde se pode ler:
"Segundo a análise, os dados do IEFP relativos a setembro fixaram o desemprego registado em 271 984 pessoas, uma diminuição mensal de 0,6% e uma expressiva redução homóloga de 10,1% (menos 30 616 inscritos). A descida homóloga foi fortemente impulsionada pela indústria e construção: a indústria do vestuário liderou as quedas com -27,1%, o couro e calçado recuou 20,2%, os têxteis desceram 19,7% e a construção registou menos 12,9% de desempregados."
Interessante! Como se terão comportado as exportações destes sectores de actividade?
Se compararmos os primeiros 8 meses de 2025 com os de 2026, o que concluímos?
- 1,34% - 61 Vestuário e seus acessórios de malha
- 8,52% - 62 Vestuário e seus acessórios excepto de malha
- 2,08% - 63 Outros artefactos têxteis, calçado, chapéus, trapos
- 0,79% - 64 Calçado, polainas e artefactos
- 61 Vestuário e seus acessórios de malha cresceu +5,8% de Janeiro a Abril e -3,0% de Maio a Agosto
- 64 Calçado, polainas e artefactos cresceu +2,5% de Janeiro a Abril e -0,8% de Maio a Agosto
A consulta do último relatório do IEFP acrescenta um pormenor que reforça esta desconfiança: em Setembro, face ao mesmo mês de 2025, as ofertas de emprego comunicadas ao IEFP diminuíram 15,2% no vestuário, 9,9% na indústria do couro e dos produtos do couro e 2,1% nos têxteis. Quanto às colocações efectuadas através do IEFP, recuaram 1,3% no vestuário e 13,0% no couro, embora tenham aumentado 17,5% nos têxteis. Ou seja, sobretudo no vestuário e no couro, a forte descida do número de desempregados provenientes destas actividades coexiste com menos ofertas e menos colocações.
Para onde terão ido os desempregados? Uns poderão ter encontrado trabalho no sector de onde vieram; outros terão mudado de actividade, passando, por exemplo, do calçado para a construção, o comércio ou outra indústria. Outros poderão ter entrado em formação ou em programas de emprego, passado à reforma, emigrado ou simplesmente deixado de estar inscritos no IEFP. A redução dos registos pode, portanto, combinar novos empregos, mudanças de sector e saídas que não correspondem a emprego. Sem conhecer o peso de cada destino, sabemos que há menos desempregados inscritos provenientes destas indústrias, mas não sabemos quantos voltaram a trabalhar nelas.


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