domingo, outubro 04, 2026

Curiosidade do dia


Já tinha lido Steven Pinker associar a discussão sobre os alimentos ultraprocessados a "classismo":

Agora chego a um novo patamar: a saúde ganhou, pelos vistos, uma nova contra-indicação: pode ser antifeminista. Segundo a tese apresentada num artigo publicado no The Telegraph de hoje, "Backlash against UPFs is 'forcing women back into the kitchen'", questionar os alimentos ultraprocessados arrisca-se a empurrar as mulheres de volta para a cozinha. Julgávamos estar a discutir alimentação, mas faltava-nos perceber a dimensão política do jantar. Antes de perguntar o que um produto faz ao organismo, será prudente averiguar o que faz à emancipação feminina. 

Certo que há ultraprocessados e ultraprocessados, que não são todos iguais, e a evidência sobre os seus efeitos merece uma discussão rigorosa. Mas essa discussão fica bastante facilitada quando podemos dispensar argumentos incómodos através de um diagnóstico ideológico: suspeita de antifeminismo. 

Uma inovação que promete. Daqui em diante, talvez os rótulos devam indicar, além do sal, do açúcar e das calorias, a quantidade de emancipação por cada cem gramas.

"The backlash against ultra-processed food risks forcing women back to the kitchen, a leading nutritionist has said. Ian Marber, the founder of the Food Doctor, a wellness brand, said the movement against convenience foods overlooked the freedom they had given women from spending hours preparing meals for their families.

He said ultra-processed foods (UPFs) had been unfairly demonised, despite many providing affordable and useful nutrition. "I think this is a feminist thing," he said. "UPF and processed food has allowed women not to be tied to the kitchen."

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