No jornal Público do passado dia 29 de Março encontrei o artigo “Precisamos mesmo de um novo ‘relatório Porter’?” da autoria de Manuel Mira Godinho.
O artigo reflecte sobre a declaração de Pedro Nuno Santos de que Portugal precisa de um novo "relatório Porter", à semelhança do produzido em 1993-94 sob coordenação de Michael Porter, para identificar sectores prioritários para o desenvolvimento económico do país. Mira Godinho argumenta que, embora tal iniciativa tenha tido méritos no passado, os desafios actuais requerem outro tipo de abordagem. Critica a persistência do modelo de especialização baseado em vantagens comparativas e salienta que Portugal precisa de apostar na valorização do conhecimento, inovação e inteligência, nomeadamente aproveitando o potencial das universidades. Defende também que o Estado deve voltar a atrair talento e deixar de ser apenas "um aparelho de salários", promovendo uma função pública tecnicamente competente. Termina frisando a necessidade urgente de reindustrialização com base na produtividade e conhecimento, e não na simples repetição de soluções do passado.
“O resultado de seguirmos essas ‘vantagens comparativas’ icónicas é o de por nós mais conhecido: Portugal especializa-se na produção de vinho… [Moi ici: Portugal continua a viver de especializações tradicionais, muitas vezes baseadas em vantagens comparativas ultrapassadas]
...
Em vez de exportarmos pessoas e importarmos estudos, devemos apostar na nossa inteligência e na exportação de conhecimento, inclusive a partir das universidades.”
...
O funcionalismo público deixou de atrair talento... o Estado deixou de ser um lugar para os melhores. Teve-se de reconhecer que Portugal conseguiu muito mais nesta área do que os 50 anos de democracia.”
...
“Há uma necessidade urgente de reindustrialização com base em conhecimento... Não bastam os bons resultados de exportações. Precisamos de mais produtividade, mais inovação, mais inteligência.”
Quem pode negar esta frase "Há uma necessidade urgente de reindustrialização com base em conhecimento... Não bastam os bons resultados de exportações. Precisamos de mais produtividade, mais inovação, mais inteligência." No entanto, não creio que seja claro como é que isto acontecerá. Colaboração entre universidades e empresas existentes dificilmente entregará o que é preciso.
São precisos outros protagonistas.