sexta-feira, setembro 04, 2026

Quando se confunde produtividade com competitividade

O FT publicou ontem "German industry pushes to extend working week to 40 hours":

"Four decades after German metalworkers won one of the most acrimonious labour disputes in the country's postwar history to secure a 35-hour week, some of the largest industrial employers are reviving the totemic debate over longer working hours.

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Labour has become too expensive here by international standards," Martin Brudermüller, chair of Mercedes-Benz Group's supervisory board, told German newspaper Handelsblatt recently, adding that the country had lost its "productivity advantage over important competitors".

"We should seriously consider a return to the 40-hour week."

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What has transformed a decades-old argument into an urgent competitiveness debate is the deepening crisis in German manufacturing."

Os alemães têm esta mania de confundir competitividade com produtividade e são duas coisas que podem ser diferentes e podem ser iguais. Quando produtividade e competividade se equivalem, temos o empobrecimento dos países.


 Custa-me a ler que líderes de empresas que supostamente sempre competiram por algo mais do que preço estejam agora, instintivamente, prisioneiros dessa mentalidade... fazem-me lembrar o último governante mouro de Granada a chorar quanto viu a cidade pela última vez.

Segundo o artigo, desde 2017, a produção industrial alemã caiu mais de 15%, devido aos preços da energia, à concorrência chinesa, às barreiras comerciais norte-americanas e à transição para os veículos eléctricos. Embora o emprego industrial tenha diminuído mais lentamente do que a produção, os economistas esperam novas perdas de postos de trabalho. Neste contexto, o aumento do horário é apresentado como uma forma de reduzir o custo do trabalho por hora e recuperar competitividade. 

Vamos lá ver, como medida temporária, a proposta pode ajudar empresas viáveis que atravessam um período de transição particularmente difícil. Poderá permitir aumentar a capacidade produtiva sem aumentar imediatamente os custos fixos, reduzir o recurso a horas extraordinárias, recuperar margens e criar espaço financeiro para investir em equipamentos, automação, formação e desenvolvimento de novos produtos. Mas será que o problema é falta de capacidade de produção? Não me parece.

O problema da Alemanha é a evolução do numerador da equação da produtividade, não o da evolução do denominador. A redução de custos só afecta o denominador. É a versão alemã desta cena em Portugal.

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