Já escrevi sobre a Oração do Abandono. Recordo de Maio passado:
"Treat everything as learningFailures and explosions are data for the next iteration, not disasters to be concealed."
"in time you learn that feedback is fuel rather than failure...it's not failure, it's feedback...Like you lost. What will we learn? What will we do next time? Great. Do it again next. It feels like resilience....failures and explosions are data for the next iteration".
"you lost. What will we learn? What will we do next time?"
Isto liga-se directamente à frase atribuída a Musk: as explosões não são apenas desastres; são dados. Ou seja, a realidade respondeu ao nosso modelo. O foguete explodiu; o cliente não comprou; a equipa falhou; o plano não resultou. A pergunta madura não é "quem escondemos?" ou "como salvamos a narrativa?", mas: que hipótese ficou destruída, que variável ignorámos, que comportamento temos de mudar?
Musk/Hormozi dizem: age, testa, falha, aprende, corrige, volta a tentar.
A Oração do Abandono diz: age, cumpre a tua parte, mas não faças do resultado um ídolo.
O ponto comum é a humildade perante a realidade.
Musk olha para a realidade como engenheiro: "que dados recolhemos?"
Hormozi olha para a realidade como empreendedor: "que comportamento deve mudar?"
A Oração do Abandono olha para a realidade como alma: "que parte me cabe, e que parte não controlo?"
Tenho de procurar um vídeo de Jordan Peterson e outro de Marc Andreessen que julgo abordarem o mesmo tópico.
O tema não é apenas "aprender com o erro" no sentido empresarial ou técnico. É também uma questão de higiene mental: não deixar que um acontecimento negativo se transforme numa prisão interior. A explosão, o erro, o fracasso, a perda ou a humilhação não são a nossa identidade. São factos. São dados. São episódios. Podem ensinar-nos, mas não devem definir-nos. Ficar preso ao acontecimento negativo é deixar que ele continue a mandar em nós muito depois de ter acabado.
Hormozi não diz "faz de conta que não doeu". Pelo contrário: perder dói, a rejeição dói, o feedback dói, mas essa dor deve ser lida como um sinal, não como uma sentença. E, sobretudo, não deve estar ao volante da vida.
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