A melhor forma é começar com uma pergunta operacional: Onde estamos a perder dinheiro, tempo, qualidade ou capacidade porque percebemos o problema tarde demais?
A partir daí, a empresa deve escolher um processo concreto. Não a fábrica inteira, nem todos os indicadores, nem todos os problemas. Um processo. Uma dor. Uma decisão.
Por exemplo:
- reduzir rejeições numa máquina crítica;
- prever desvios num processo de enchimento;
- antecipar defeitos antes da cozedura;
- prever atrasos em encomendas complexas;
- reduzir perdas de matéria-prima;|
- melhorar o rendimento de lotes;
- detectar causas recorrentes de reclamações; ou
- prever paragens de equipamento.
Depois, é preciso olhar para os dados disponíveis. Que dados existem? Estão completos? São fiáveis? Estão ligados ao lote, à ordem, à máquina, ao turno, ao fornecedor, ao operador, ao resultado final? Ou vivem espalhados em folhas de Excel, relatórios em PDF, sistemas que não comunicam e registos manuais difíceis de interpretar? Recordo tantos e tantos equipamentos, desde fornos rotativos, até misturadores, por exemplo, onde muito mais instrumentação poderia ser introduzida. Recordo Taylor e o seu trabalho na pasta de papel.
Muitas empresas descobrem aqui o primeiro problema: querem inteligência artificial, mas ainda não têm inteligência operacional organizada.
Antes da IA, pode ser necessário ajustar definições, uniformizar registos, clarificar os defeitos, melhorar a rastreabilidade, ligar os dados de processo aos resultados e garantir que todos medem a mesma coisa da mesma forma.
Só depois faz sentido perguntar: Que decisão gostaríamos de antecipar?
Esta é, talvez, a pergunta mais importante. Não basta prever por prever. Uma previsão só tem valor se permitir uma acção. Se o sistema disser que há risco elevado de defeito, o que fazemos? Ajustamos parâmetros? Paramos a linha? Chamamos a manutenção? Segregamos material? Reforçamos a inspecção? Alteramos a sequência de produção? Abrimos uma investigação? Mudamos a formulação? Revemos o fornecedor?
Isto faz-me recuar ao ... PLASFOCO.
A IA só cria valor quando entra numa cadeia completa:
dados → análise → previsão → decisão → acção → verificação → aprendizagem.
Sem esta cadeia, a IA torna-se mais um painel bonito. Mais uma ferramenta. Mais uma promessa. Mais uma forma moderna de produzir confusão.
Recordo: Automatizar é o último passo: Um convite.
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