segunda-feira, maio 25, 2026

Curiosidade do dia

 Esta manhã, bem cedo, no Alfa, ouvi isto:


A certa altura Malcom Guite fala da estória do Senhor dos Anéis, que por acaso vi na televisão ontem ao final da tarde e princípio da noite, e faço a ponte para a oração do abandono!!!

A maior parte das grandes aventuras antigas é uma busca por aquisição: conquistar o velo de ouro, trazer o fogo, obter um tesouro, ganhar poder. Em "O Senhor dos Anéis", o movimento é inverso: o tesouro já está no início da história. A missão não é ficar com ele. É largá-lo. Destruí-lo. Renunciar ao poder que ele promete.

Por isso, a viagem de Frodo não é uma jornada de conquista. É um caminho de despojamento. Quanto mais se aproxima do Monte da Perdição, mais pesado se torna o Anel. Como na oração, o herói continua a caminhar, mas vai perdendo a ilusão de domínio. Não controla o caminho, não controla o peso, nem sequer a sua própria pureza até ao fim.

Frodo faz tudo o que pode, mas, no momento decisivo, não consegue largar o Anel. Falha. Reclama-o para si. O herói, de certo modo, também precisa ser salvo.

Abandonar-se não é dizer: "eu sou forte, eu domino, eu consigo". É talvez dizer: "faço a minha parte, caminho até onde puder, mas a salvação não está inteiramente nas minhas mãos". Frodo leva o Anel até ao lugar onde ele pode ser destruído, mas a destruição acontece por uma conjugação misteriosa de fraqueza, misericórdia anterior (Bilbo não matou Gollum) e de providência.

Há ainda outra ligação: o Anel representa a tentação permanente do controlo. Dominar vontades. Impor ordem. Vencer o medo através do poder. Corrigir o mundo pela posse de uma força irresistível. É o oposto do abandono. O Anel diz: "toma, controla, impõe, possui". A oração diz: "Pai, abandono-me nas tuas mãos".

E o que ele diz sobre Sam... e aquele "Well, I’m back"





Sem comentários: