It's always cute when people argue that the demise of Italian industry and stagnant real wages over the last two decades have nothing to do with the Euro's introduction.
— Michael A. Arouet (@MichaelAArouet) May 9, 2026
How do you explain that then?
Why can't people admit that the Euro has been an epic failure for Italy? pic.twitter.com/NfUYb0GtkO
Há muitos anos que tenho outra teoria: O choque chinês, não o euro
Por isso, pedi ao ChatGPT para fazer um gráfico em que se adicione o desempenho industrial dos EUA ao da Alemanha e da Itália.
Voilá:
Quando incluímos os EUA, a tese do euro torna-se menos convincente. Os EUA não adoptaram o euro e, mesmo assim, também mostraram perda de dinamismo industrial após 2000. Portanto, há um choque comum mais plausível: a entrada da China no sistema comercial global.
A data crítica talvez não seja apenas 1999, ano da introdução do euro no mercado financeiro, mas também 2001, quando a China entrou formalmente na OMC. A partir daí, a indústria dos países desenvolvidos passou a enfrentar uma combinação poderosa: capacidade produtiva chinesa, custos baixos, escala, investimento, aprendizagem rápida e integração nas cadeias globais. A China tornou-se membro da OMC em 11 de Dezembro de 2001.
A China foi o grande choque externo; o euro condicionou a forma como cada país europeu conseguiu, ou não, responder a esse choque.
No caso dos EUA, a literatura sobre o "China shock" é bastante clara: o aumento da concorrência das importações chinesas afectou especialmente regiões e sectores industriais mais expostos, provocando desemprego, menor participação no mercado de trabalho e pressão sobre os salários nas zonas industriais dos EUA. Portanto, o facto de os EUA também mostrarem estagnação industrial torna mais fraca a explicação monocausal "foi o euro".
No caso italiano, a China também é uma explicação muito plausível, porque a indústria italiana tinha muito peso em sectores mais vulneráveis à concorrência chinesa: têxteis, vestuário, calçado, mobiliário, bens de consumo, pequenas máquinas, componentes e produção de média tecnologia. Há investigação do Banco de Itália que enquadra precisamente o "China shock" como uma força que deslocou emprego industrial e deteriorou carreiras em economias avançadas, incluindo estudos aplicados ao mercado de trabalho italiano.
A diferença é que a Alemanha não sofreu da mesma forma. E esse é o ponto mais interessante. A Alemanha entrou no mesmo euro, enfrentou a mesma China, mas tinha outra posição competitiva: máquinas, automóveis, química, bens de capital, Mittelstand exportador, integração com a Europa Central e Oriental e capacidade de vender à própria industrialização chinesa. A China foi concorrente, mas também cliente e plataforma de crescimento.
A Itália ficou mais exposta a uma combinação má: concorrência chinesa em sectores onde era forte, baixa produtividade, menor capacidade de escala global, menos investimento e, dentro do euro, perda da velha válvula de escape da desvalorização cambial. Antes, quando a competitividade se degradava, a lira podia desvalorizar. Com o euro, esse ajustamento deixou de existir. A adaptação tinha de vir por meio da produtividade, da inovação, da diferenciação e da reorganização industrial, muito mais difícil.
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