O artigo "La productividad por trabajador cae en 2025 hasta su nivel más bajo en tres años" é sobre Espanha, mas a tabela permite perceber a quebra muito mais forte da produtividade em Portugal do que em Espanha.
Uma economia saudável não melhora apenas porque põe mais gente a trabalhar. Melhora quando cada hora de trabalho gera mais valor. E isso não está a acontecer.
Quando a economia cresce por volume, mas não por valor acrescentado, a produtividade fica presa. É a diferença entre:
- vender mais unidades;
- atender mais clientes;
- receber mais turistas;
- contratar mais pessoas;
E, por outro lado:
- vender melhor;
- cobrar mais por diferenciação;
- incorporar mais conhecimento;
- automatizar o que deve ser automatizado;
- criar marcas, processos, tecnologia, design, propriedade intelectual e capacidade comercial.
O artigo mostra uma economia que parece estar a fazer mais, mas não necessariamente a valer mais.
A imigração entra sobretudo para alimentar sectores de baixa produtividade, baixos salários, rotação elevada e pouca formação, ou seja, permite fomentar esse modelo. Ajuda empresas a sobreviverem sem terem de mudar muito. Neste caso, a imigração funciona como uma válvula de escape: resolve a falta imediata de mão de obra, mas reduz o incentivo para investir em produtividade. Facilita o desvio de recursos para novos projectos de baixa produtividade.
Uma economia pode crescer porque junta mais trabalhadores, recebe mais turistas e alimenta sectores intensivos em mão de obra. Mas isso não é o mesmo que subir na escala de valor. Sem mais capital, melhor gestão, melhor tecnologia, melhor posicionamento e maior diferenciação, o país apenas acrescenta volume. E volume, como sabemos, é vaidade; produtividade e valor acrescentado são sanidade.
É doentio como este não é o tema mais importante nos media portugueses. Tudo o resto é espuma.
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