segunda-feira, junho 24, 2013

O exemplo da Vipex!

Ontem ao final da tarde, acabava de chegar do meu jogging, abri o correio e tinha duas mensagens do André Cruz com "recados" preciosos.
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O primeiro diz respeito à empresa Vipex e fazia partedo jornal Público de ontem. Reparem nos trechos que se seguem, podiam ter sido retirados deste blogue sem grande esforço:
"O nosso negócio de referência foi a produção de caixas de transporte de iogurte para uma marca multinacional.
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Entre 2007/08, não tinha chegado ainda a crise do subprime, repensámos o nosso negócio, tentando tirar partido do melhor que nós temos - flexibilidade e rapidez de gestão - e evitar o risco das empresas familiares de não diferenciarem entre o accionista e a gestão.
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Iniciámos na altura um plano de investimentos de três milhões de euros, deixando de ser uma empresa de produto para passarmos a ser uma empresa de serviços, com engenharia de desenvolvimento de produto: com base na solicitação do cliente e em conjunto com ele, definimos o produto, a forma de industrialização e as ferramentas.
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Antes éramos produtores, hoje concebemos, industrializamos e produzimos. Esperamos efeitos desta nova estratégia a médio e longo prazo. Estes trabalhos demoram entre três a seis anos a conquistar. Por isso, é precisa uma visão de médio e longo prazo articulada com o curto prazo. Os resultados mais importantes da mudança que fizemos vão ver-se em 2014, com novos clientes que conquistámos, multinacionais, com projectos de desenvolvimento de produto em conjunto com outros fornecedores.
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A mudança está a correr bem. As nossas vendas foram em 2012 de oito milhões de euros. Em 2008, andavam entre os cinco a seis milhões e temos a certeza que, se não tivéssemos mudado, andaríamos hoje pelos três milhões. Este ano, esperávamos um ano mau, o pior de sempre,  e está a ser o melhor, com um crescimento que pode chegar a 20% no final. Estamos a fazer tudo para que seja sustentável.
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Temos a concorrência da Ásia, que oferece menores custos. A nossa vantagem é sermos mais rápidos nas entregas na Europa, mais ágeis na qualidade da resposta e haver maior facilidade de comunicação. .O que temos feito é apostar em nichos de mercado. Sempre fomos exportadores. Perto de 95% das nossas vendas vão para o exterior, de forma directa ou indirecta (através dos nossos clientes que têm as suas próprias redes) e ficam em Portugal apenas 5%. Temos cinco clientes para os quais fazemos projectos exclusivos.
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A Vipex tem 60 trabalhadores Nunca reduzimos o quadro de pessoal, nunca despedimos, sempre gerimos a empresa como se estivéssemos em crise. Sabíamos que o excesso de facilitismo ia acabar um dia."
Subir na escala de valor!
Apostar em nichos de mercado!
Apostar na rapidez!
Apostar na flexibilidade!
Apostar na interacção com os clientes!
Produzir é o mais fácil, desenhar, conceber, industrializar, interagir!!!

Não faz sentido seguir o mesmo caminho na sua empresa? Pergunte-nos como o pode começar a fazer já a partir da próxima segunda-feira!


5 comentários:

Patricia Santos disse...

curioso! muito curioso mesmo!

no meu primeiro ou segundo comentário neste blog, falei exactamente da Vipex, como um exemplo da subida de valor junto do cliente, basicamente trabalhando cada vez mais dentro do cliente. em vez de simplesmente receber encomendas e fazer ao menor preço possível, trabalha no desenvolvimento do produto. basicamente, aproveitaram a filosofia das empresas de qualidade dos moldes, que passaram de industria pura para serviços de engenharia.

é uma excelente empresa, com uma gestão familiar, bastante focada.
merecem muita sorte mesmo.

um bem haja

Patricia Santos disse...

mais uma vez, sou o Bruno! =)

João Pedro Neto disse...

Muito interessante, mesmo.

CCz disse...

"basicamente trabalhando cada vez mais dentro do cliente. em vez de simplesmente receber encomendas"

interacção, interacção e aposta nos intangíveis

Bruno Fonseca disse...

já agora apenas uma nota.

a Vipex é um excelente exemplo, tal como as melhores empresas de moldes, que passaram de "produção" para "engenharia de serviços". contudo, até nestes casos, quando se fala de "subir dentro do cliente", e quando o cliente tem alguma dimensão, é necessário que a empresa seja sólida, e que tenha alguma estrutura. uma Pyrex não deixa nas mãos de uma empresa com 10 funcionários ou sem um forte track record o desenvolvimento de um produto "core". para subcontratar produção, o que interessa é o preço. para "co-desenvolver" o produto, é preciso que a empresa tenha organização, estrutura e robustez, não vão arriscar desenvolver um produto com uma empresa que a qualquer momento pode simplesmente desaparecer

bem haja!