Mostrar mensagens com a etiqueta incorruptible. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta incorruptible. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, agosto 06, 2026

Um exemplo


No JdN de ontem, na entrevista ao CEO da Casa Mendes Gonçalves (dona da marca Paladin, por exemplo) encontrei este trecho:
"Fundador da Casa Mendes Gonçalves diz que fundos perderam apetite pela produtora de molhos, vinagres e condimentos quando entregou parte do capital à fundação, que criou para a "eternizar"."

O trecho é um caso português a ilustrar a solução institucional que Eric Ries começa a explorar no capítulo inicial de Incorruptible: como impedir que uma empresa com uma identidade, uma missão e relações construídas ao longo de décadas seja desviada para a extracção de valor financeiro de curto prazo.

No primeiro capítulo, Ries conta a história de Sol Price, fundador da FedMart. Price entendia que a empresa tinha uma espécie de dever fiduciário para com o cliente: clientes primeiro, trabalhadores depois e accionistas em último lugar. Todavia, acabou afastado pelo próprio board, que pretendia extrair mais valor financeiro da empresa. O ponto de Ries é que não bastam um fundador íntegro, valores fortes ou boas intenções. Se a estrutura de propriedade, a governação e os incentivos apontarem noutra direcção, mais cedo ou mais tarde a organização cede àquilo a que chama “financial gravity”. 

É precisamente essa vulnerabilidade que Carlos Gonçalves procura eliminar ao transferir parte do capital da Casa Mendes Gonçalves para uma fundação. Ao retirar a empresa do circuito habitual, comprar, aumentar a rentabilidade de curto prazo e voltar a vender, está a tentar construir uma estrutura capaz de sobreviver ao fundador e de proteger a independência da organização. 

Há, contudo, uma diferença importante. No artigo, a justificação central parece ser: 

"Esta empresa não pode deixar de existir. Este rendimento da terra e da região não pode deixar de existir. É importante para muita gente."

Em Ries, a continuidade da empresa não constitui um fim em si mesma. Aquilo que merece ser preservado é a missão, a confiança dos clientes e a capacidade de continuar a criar valor. Uma empresa não se torna "incorruptível" apenas por ficar protegida contra uma aquisição; também pode tornar-se fechada, complacente, burocrática ou mais preocupada com a sua perpetuação do que com aqueles que serve.

quarta-feira, agosto 05, 2026

O que é preciso

"When challenges arise, be they inflation, supply chain disruptions, or pressure from Wall Street, company leadership doesn't complain that it's too hard to stick to their values. They "figure it out." This is what it means to be a fiduciary to the customer."

Precisamos que esta mentalidade seja a pedra de toque na bolha mediática, e não o constante choradinho de mão estendida a pedir protecção do Estado para não ter de mudar, para não ter de fazer mudanças difíceis. 

É precisamente quando as circunstâncias se tornam adversas que se distingue uma empresa genuinamente orientada para o cliente de uma organização apenas orientada para a sua própria conservação.

Trecho retirado de "Incorruptible" de Eric Ries.