O The Daily Telegraph de ontem trazia um artigo muito pequeno intitulado "Test carers' English, daughter of woman fed dog food demands":
"The daughter of an elderly woman who died after being mistakenly fed dog food by her carer who did not speak English has called for support workers to face tougher language tests.
Joyce Morrison, 96, was fed the frozen pet food three weeks before she died in 2024."
O artigo ilustra muito bem o perigo de confundir a formação, uma actividade, com a competência, um resultado. Uma organização pode apresentar certificados, testes concluídos e uma taxa de formação de 100% e, apesar disso, colocar pessoas sem a competência necessária a executar tarefas críticas. Neste caso, o erro não revela apenas uma possível insuficiência individual. Revela que o sistema confundiu a frequência da formação com a capacidade de prestar o serviço.
Recordo a cláusula 7.2 das normas ISO para sistemas de gestão, que procura precisamente evitar essa confusão: não basta formar; é necessário verificar se a formação alterou efectivamente o desempenho.
Segundo o artigo, uma mulher vulnerável terá sido alimentada com comida para cão durante cerca de três semanas por uma cuidadora que não compreendia suficientemente bem o inglês para distinguir correctamente as embalagens. Apesar da gravidade da situação, a trabalhadora teria concluído a formação exigida e passado os respectivos testes.
A filha da vítima considera que o caso evidencia uma falha sistémica na selecção, formação e supervisão dos cuidadores. Critica, em particular, uma formação transformada num exercício burocrático, realizado rapidamente ou através de testes online, sem verificar se os trabalhadores conseguem aplicar os conhecimentos no contexto real da prestação de cuidados.
Uma organização pode apresentar 100% de formação concluída e, simultaneamente, ter pessoas incapazes de executar correctamente o trabalho. O verdadeiro teste de um sistema de gestão não é saber quantas pessoas concluíram um curso, mas se conseguem fazer correctamente o que delas se espera.
Quantos de nós já pressentiram isto na sua vida, com pessoas e instituições?


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