quinta-feira, setembro 24, 2026

Curiosidade do dia

Tomo como verdadeiro este cartaz que encontrei há dias no Twitter:


E vou ao ponto 13: 
"Sem notas até ao 9.° ano
As notas numéricas seriam substituidas por relatórios de progresso, os trabalhos de casa reduzidos e a retenção de ano eliminada, incluindo no liceu (Gymnasium). Em caso de falta de professores, o horário letivo pode ser encurtado."

Todos os dias incluo nas minhas orações uma prece pelas pessoas que, ao longo da vida, me ajudaram a ser menos arrogante e menos preguiçoso. Pessoas que foram desagradáveis, que foram severas, que, figuradamente, me puxaram as orelhas, quando eu o merecia.

Como representante dessas pessoas, recordo alguém que deve ter nascido há cerca de 130 anos. Quando eu tinha sete, a professora Amelinha já era velhinha.

No exame da 1.ª classe tive 20 valores, e foi com 20 valores que ela me passou. Depois veio a 2.ª classe.

No início do ano, a professora Amelinha determinou que todos os dias fizéssemos, como trabalho de casa, uma cópia de um texto do livro único. E eu cumpria religiosamente a regra. Ou, pelo menos, cumpria a aparência da regra: todos os dias copiava o mesmo pequeno poema de meia dúzia de linhas sobre o Verão, sobre as férias. Demorava dois ou três minutos e estava feito.

Até ao dia em que a professora ditou um texto do livro. Ainda me lembro do título: “O corvo”. Depois corrigiu o que cada um de nós tinha escrito.

Eu tive nove erros.

A professora pediu-me os cadernos para ver as minhas cópias e percebeu imediatamente o que eu andava a fazer. Não me deu nenhuma reguada, não me humilhou diante da turma, não me denunciou aos meus pais. Limitou-se a dizer-me:

— Se não mudas de comportamento, reprovo-te no final do ano.

Aquilo meteu-me tanto medo e vergonha, sobretudo vergonha, pela hipótese de reprovar.

Nunca mais deixei de estudar. E, de certa forma, continuo a estudar até hoje por causa daquela frase.

Por vezes penso que a professora Amelinha podia ter sido "boazinha". Podia ter-se marimbado para o assunto. Podia ter pensado: "Afinal, é filho dos outros"; "daqui a alguns meses desaparece da minha vida"; "se não quer aprender, o problema é dele", mas não pensou assim.

Hoje sou profundamente grato às pessoas que, quando eu precisava de correcção, tiveram a coragem de me corrigir. Àquelas que preferiram correr o risco de ser desagradáveis em vez de assistir, confortavelmente, ao meu fracasso.

Continuarei, por isso, a incluir a professora Amelinha nas minhas orações. Não porque me tenha facilitado o caminho, mas porque se importou comigo o suficiente para não facilitar. Às vezes, a pessoa que nos diz aquilo que não queremos ouvir é precisamente aquela que ainda não desistiu de nós.

Segundo a minha memória era uma página com cor laranja como fundo e a quadra lançada naquele mar de cor:





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