terça-feira, setembro 01, 2026

Curiosidade do dia

Há quase um mês escrevi "Não, eu não sou um esquerdista woke". Hoje, mão amiga mandou-me um artigo publicado no DN do passado dia 28, "Portugal atrai centros de dados, enquanto alguns países se revoltam contra eles". Cito:

""Antes de aprovar novos projetos à escala dos gigawatts, Portugal deveria estabelecer uma estratégia nacional e realizar uma avaliação ambiental estratégica do desenvolvimento cumulativo dos centros de dados. Esta avaliação deveria ser integrada no planeamento do sistema elétrico, no planeamento da água, no ordenamento das energias renováveis, na estratégia industrial e nas metas climáticas", sublinhou Pires."

 Não se trata, portanto, de ser contra os centros de dados, contra o investimento ou contra o progresso. O que me preocupa é deixar decisões desta dimensão nas mãos de jogadores amadores de bilhar: concentram-se em meter a bola que têm à frente, anunciar milhares de milhões de investimento, gigawatts de capacidade e alguns milhares de empregos, sem pensar onde ficará a bola branca para a jogada seguinte. Que capacidade eléctrica restará para a habitação e para a indústria? Que pressão será exercida sobre a água, a rede, o território e o preço da energia? Que alternativas estaremos a excluir ao reservar hoje recursos escassos durante décadas? O meu receio não é o progresso. É o "progresso" decidido por quem celebra a primeira consequência favorável sem perguntar, como ensinava Thomas Sowell: "E depois?"

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