terça-feira, agosto 25, 2026

Curiosidade do dia

Assim que vi este tweet, traduzo-o para:

"O Gana é um exemplo de como a introdução do marxismo destruiu completamente um país. Mas comecemos pelo início. Até 1957, o Gana era uma das colónias mais ricas de África em termos per capita, com 200 milhões de libras em reservas, sem défice ou empréstimos estrangeiros. Possuía um funcionalismo público plenamente operacional."

E sabem o que me veio à cabeça? A Europa!

A Europa, parece que está a seguir as pisadas dos países africanos como o Gana.

Se olharmos para a lista de empresas mais valiosas na bolsa de Nova Iorque em 1980 e em 2024, o que vemos?

Se olharmos para a lista de empresas mais valiosas na bolsa de Londres em 1980 e em 2024, o que vemos?

Se olharmos para a lista de empresas mais valiosas na bolsa de Frankfurt em 1980 e em 2024, o que vemos?


Nova Iorque - Em 1980, quatro das cinco empresas dependiam de activos físicos, telecomunicações ou energia. Em 2024, as cinco assentavam sobretudo em software, semicondutores, dados, plataformas e propriedade intelectual. Não existe qualquer sobrevivente no top 5. É uma demonstração extraordinária da capacidade americana para criar novas empresas, financiar tecnologias emergentes e substituir antigos campeões.

Londres - Londres também mudou, mas não produziu uma nova geração de plataformas tecnológicas. GEC foi desmantelada depois da transformação desastrosa em Marconi; a ICI acabou adquirida; BP e BAT desceram no ranking. A única continuidade no top 5 é a Shell. Os novos líderes continuam concentrados em sectores maduros e globais — farmacêutica, energia, banca, bens de consumo e exploração mineira. Londres renovou os nomes, mas não mudou verdadeiramente de paradigma. 

Frankfurt - Frankfurt revela maior continuidade estrutural. A Siemens permanece no top 5; a SAP representa a grande excepção tecnológica; Deutsche Telekom, Airbus e Allianz continuam ligados a infra-estruturas, engenharia, indústria e serviços regulados. A Alemanha modernizou parte da sua base industrial, mas não gerou empresas digitais com a escala das norte-americanas. 

Imaginem o valor gerado por uma hora de trabalho no top 5 de Nova Iorque e comparem com o de Frankfurt. 

Imaginem, por absurda hipótese académica, que surgisse na Europa uma empresa com potencial para gerar mais valor do que a Apple. Agora, passo a citar um trecho que mão amiga me enviou esta manhã:
"A recomendação contida no subtítulo da capa [Moi ici: A capa de um número da revista The Economist sobre o apocalipse de empregos, de Maio deste ano], "esperar pelo melhor, planear para o pior", evidencia a falência analítica e a complacência do pensamento neoliberal. Tratar a substituição do trabalho humano como uma fatalidade meteorológica, e não como o resultado de escolhas políticas e de modelos de governação corporate, é um erro crasso. O combate exige intervenção soberana: tributação progressiva sobre o capital tecnológico, regulação estrita da autonomia algorítmica e a redesenho dos sistemas de redistribuição, sob pena de o vórtice ilustrado se transformar na sepultura da própria ordem democrática."

Logo faria as malas deste local cada vez mais socialista. Foco na redistribuição e medo da morte dos incumbentes. Imaginem o choque e o impacte do encerramento puro e duro da VW na Alemanha, depois imaginem todos os recursos encalhados nessa empresa a terem de ser mobilizados noutros projectos mais produtivos...

A Europa sofre a mesma doença que Portugal: a de Caim.



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