quarta-feira, agosto 26, 2026

Curiosidade do dia

A propósito de um artigo publicado no JN de hoje, "População de Carrazeda protesta contra forma como foi combatido o grande fogo":

"A população não entende como foi possível com tantos recursos humanos e materiais "chegar a este ponto", afirmou Nuno Freixinho, que só encontra uma explicação: "descoordenação".

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"Estamos revoltados e indignados com o que se passou, praticamente fomos abandonados. Mais de 90% da freguesia ficou queimada. A responsabilidade é de quem manda, que não fez uma boa gestão dos meios que tinha. Havia muitos, os bombeiros deram tudo, mas alguns estavam à espera de ordens na aldeia que nunca lhe chegaram", explicou Pedro Correia, lamentado que não tenham ouvido os populares. "Não quiseram a nossa ajuda para lhe ensinarmos caminhos e dar dicas sobre a zona. Só viam no mapa e isso não foi suficiente", revelou."

A população de Vilarinho da Castanheira e de Pinhal do Douro, no concelho de Carrazeda de Ansiães, prepara uma manifestação para protestar contra a alegada descoordenação no combate ao grande incêndio que, durante cinco dias, devastou cerca de 2000 hectares. Embora reconheçam que existiam numerosos meios humanos e materiais no terreno, os moradores afirmam que faltaram comando, planeamento e comunicação eficazes entre as equipas.

Os moradores estão a organizar uma manifestação para exigir explicações e uma revisão da forma como estas operações são comandadas.

Este fim de semana, em família, avancei com uma proposta "absurda". Todos os anos, os bombeiros deviam receber, virtualmente, um bolo de dinheiro. Depois, por cada m² ardido, uma parte desse bolo ia desaparecendo, até que, no final da temporada de fogos, recebiam o que sobrou do bolo inicial.

Que fique claro: não estou a sugerir que os bombeiros, as associações ou os responsáveis pelo comando tenham qualquer interesse em prolongar um incêndio. Não tenho qualquer elemento que sustente tal acusação. Estou apenas a colocar uma questão de desenho institucional: que comportamentos e resultados financia, mede e reconhece o sistema?

A minha proposta do "bolo" seria perigosa se aplicada mecanicamente. Punir cada metro quadrado ardido poderia levar a comportamentos de risco, penalizar injustamente corporações confrontadas com territórios, condições meteorológicas e incêndios muito diferentes, ou desencorajar o uso tecnicamente necessário do fogo. Mas a pergunta que lhe está subjacente é, julgo, legítima: como conceber um sistema que financie a disponibilidade e os meios necessários, mas que também reconheça a prevenção, a rapidez da primeira intervenção, a qualidade do comando e os resultados alcançados?


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