sexta-feira, agosto 14, 2026

Curiosidade do dia

A propósito de "Swisscom abre unidade em Lisboa com 40 pessoas em 2027"

Durante anos, lamentámos que as fábricas portuguesas fechassem e que os empregos partissem para a China. As empresas procuravam salários mais baixos, dizíamos, sacrificando trabalhadores, conhecimento e capacidade produtiva em nome do lucro. Agora, a Swisscom transfere para Lisboa postos qualificados nas áreas de informática, desenvolvimento de software e finanças. Na Suíça, os sindicatos recorrem exactamente aos mesmos argumentos: a empresa aproveita salários inferiores, elimina empregos nacionais e coloca o lucro acima da sua responsabilidade perante o país.

Em Portugal, porém, a operação recebe outro nome. Já não é deslocalização, é investimento estrangeiro. Já não é arbitragem salarial, é reconhecimento do talento português. Já não estamos a competir através de salários mais baixos; estamos a subir na cadeia de valor. Tudo depende, afinal, do lugar onde nos sentamos: quando o emprego parte, o capital é ganancioso; quando chega, o país é competitivo.

Quantos conseguem ver-se ao espelho? Quantos conseguem calçar os sapatos do outro?



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