O funil de Deming mostra uma lição muito simples para qualquer PME: nem todos os desvios exigem uma intervenção.
Imagine uma pessoa a deixar cair uma bola através de um funil, tentando acertar num alvo. Mesmo quando o funil está bem posicionado, a bola não cai sempre no mesmo sítio. Há sempre alguma variação natural. O erro começa quando, após cada queda, alguém mexe no funil para "corrigir" o resultado anterior. Em vez de melhorar, o sistema fica mais instável.
Nas empresas acontece o mesmo. Um dia as vendas baixam, outro dia a produtividade sobe, outro dia há mais reclamações, outro dia há menos. Se a gestão reage a cada número isolado (muda o plano, pressiona equipas, altera regras, troca prioridades), pode estar apenas a aumentar o ruído. Deming chamou isto de "tampering": mexer no processo sem perceber se houve realmente uma mudança relevante.
A conclusão é importante: gerir bem não é reagir a tudo; é saber distinguir a variação normal dos sinais reais de mudança. Quando o processo está estável, a melhoria vem de trabalhar no sistema: método, formação, equipamentos, fornecedores, planeamento, informação, organização do trabalho. Não vem de culpar pessoas ou de corrigir cada resultado pontual.
Para uma PME, a mensagem prática é esta: antes de dar ordens, mudar procedimentos ou apertar com a equipa, olhe para os dados em contexto. Veja a tendência, compare vários períodos, procure padrões. Um ponto isolado pode ser apenas ruído. Um padrão consistente pode ser um sinal. A gestão melhora quando deixa de perseguir cada oscilação e passa a aprimorar o processo que gera os resultados.
%2015.57.jpeg)

Sem comentários:
Enviar um comentário