quinta-feira, julho 30, 2026

Curiosidade do dia


Esta manhã, ouvi Camilo Lourenço culpar a UE pela crise na produção automóvel europeia devido à regulamentação ambiental.

Vou dar de barato que sim, que isso pode ter tido um impacte, mas a minha atenção focou-se num outro factor: a demografia. 

Li hoje no Twitter que mais de 10% da população japonesa tem mais de 80 anos. 

Julgo que, a partir dos 70 anos, a frequência de compra de um carro novo deve diminuir drasticamente. Então, perguntei ao ChatGPT como tem evoluído o número de novos carros matriculados em alguns países europeus:

Em 2000, na Alemanha matricularam-se quase 3,4 milhões de carros novos. Em 2025 esse número foi de 2,8 milhões, menos 15% Em França menos 23%, em Itália menos 37%.

Não acredito que os automóveis chineses que entram na Europa sejam os principais culpados pela situação actual. Mesmo que eliminássemos completamente a concorrência chinesa, a indústria europeia continuaria a enfrentar um problema de capacidade: foi construída para um continente mais jovem, com mais famílias em formação e ciclos de substituição mais curtos. A China pode agravar a crise dos fabricantes europeus; não é ela que criou o envelhecimento dos compradores europeus.

Acredito que, durante anos, o efeito da demografia, da perda de poder de compra e do aumento da fiscalidade foi mascarado pelas vendas na China.

Agora chega a hora de acertar contas.


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