Ontem, o Telegraph publicou "Queen and Rowling spell out the importance of reading for children". Lembrei-me logo de um tweet a que cheguei há dias, via @mattwridley:
They should slap VAT on children's books as parents who read to their kids are creating inequality. It's outrageous. pic.twitter.com/4q8ssbxf00
— Anthony Cox (@Cox_A_R) June 27, 2026
O texto citado no tweet é mesmo verídico.
Quem me garante que o próximo estudo de um universitário, supostamente científico, não está a fazer algo do mesmo género?
No jornal, a rainha e J. K. Rowling defendem que as crianças devem ter acesso a livros e que a leitura abre portas às gerações futuras. No outro, aparece a grande subtileza académica contemporânea: pais que lêem histórias aos filhos talvez devam sentir-se ligeiramente culpados por estarem a "desfavorecer" os filhos dos outros.
É extraordinário. Antigamente, quando uma prática fazia bem às crianças, tentava-se alargá-la. Hoje, há sempre alguém disponível para transformar uma virtude familiar numa suspeita moral. Ler aos filhos deixa de ser amor, cuidado e transmissão cultural; passa a ser uma espécie de doping parental clandestino.
A rainha diz: leiam mais às crianças. Rowling diz: os livros abrem mundos. A academia responde: cuidado, isso pode criar desigualdade.
A igualdade já não quer levantar os que estão em baixo; prefere lançar uma sombra sobre quem ainda acende a luz antes de dormir.


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