domingo, julho 05, 2026

A estratégia é quase uma ameaça

 

"The practice of strategy is the opposite of benchmarking. It is not analysis heavy. It is not linear. Hence it is unattractive for business bureaucrats who can’t be assured that they will produce an answer that they like."

Roger Martin in "Benchmarking is for Losers".

A estratégia obriga a escolher sem rede, a imaginar uma posição própria, a aceitar incerteza, a dizer "não" a caminhos plausíveis e a avançar antes de todas as provas estarem disponíveis. É por isso que assusta os burocratas empresariais. Eles gostam da navegação por cabotagem: costa à vista, referências conhecidas, mapas herdados, decisões reversíveis, linguagem prudente. 

A estratégia pede outra coisa: largar a costa, perder momentaneamente o pé, admitir que a resposta certa pode não ser a resposta confortável. Para quem precisa garantir, à partida, que o processo produzirá uma conclusão aceitável, a estratégia é quase uma ameaça. Não porque seja irracional, mas porque exige julgamento. E o julgamento é precisamente aquilo que nenhuma grelha de benchmarking consegue substituir.



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