A propósito de "Quando não apoiamos os grandes grupos de media, estamos basicamente a ajudar à fragmentação do espectro político" e em especial:
"Mas, para além da dimensão económica, acrescenta a social. "O Estado de Direito vive do escrutínio. E a forma mais eficaz de escrutínio é feita pelos grandes grupos de comunicação social. É assim em todo o mundo Ocidental, com a imprensa livre vem o Estado de Direito"."
Compreendo o argumento de que grupos grandes de media podem contribuir para um espaço público menos fragmentado. Mas convém não romantizar demasiado o seu papel. Os grupos grandes de media têm interesses, dependências económicas, relações com anunciantes, proximidade a governos e agendas editoriais próprias.
O risco não está apenas nas redes sociais ou nos pequenos canais alternativos. Também existe quando a informação é filtrada por poucos grupos com grande poder de influência. Por exemplo: quando a cobertura política depende excessivamente do acesso a ministros e gabinetes; quando determinados sectores económicos são tratados com cuidado por serem grandes anunciantes; ou quando temas incómodos para o poder recebem menos destaque do que mereciam.
Uma democracia saudável precisa de jornalismo forte, sim, mas também de pluralismo, transparência sobre interesses e capacidade crítica perante todos os centros de poder — incluindo os próprios media.
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