- Prolongamento da guerra na Ucrânia
- Guerra no Médio Oriente
- Crise no Mar Vermelho e vulnerabilidade das rotas marítimas
- Regresso das tarifas e da guerra comercial
- Eventos climáticos extremos
- Aceleração da inteligência artificial
- Fragmentação tecnológica e geopolítica
- Fragilidade da economia chinesa
- ...
A volatilidade deixa de ser uma excepção e passa a ser uma condição de funcionamento.
Em Fevereiro falava-se de um "comboio de tempestades"… é como se cada um dos choques acima deixasse de ser um episódio temporário para as empresas; a sequência e sobreposição são o novo normal, estruturalmente mais instável.
Num mundo sujeito a um comboio de choques, as organizações devem deixar de planear apenas para maximizar a eficiência e começar a planear também para a resiliência, a redundância inteligente, a flexibilidade e a rapidez de adaptação.
A pergunta já não é apenas: "Como optimizamos em condições normais?"
Durante anos, esta foi a pergunta certa. Levou as empresas a reduzir desperdício, cortar custos, encurtar prazos, melhorar produtividade, especializar fornecedores, diminuir stocks e eliminar redundâncias. Em ambientes relativamente estáveis, fazia sentido. A eficiência era uma vantagem competitiva.
Mas o problema é que essa pergunta parte de uma hipótese cada vez menos segura: a existência de “condições normais”.
A pergunta passa a ser: "Como continuamos a funcionar quando as condições normais desaparecem?"
Esta segunda pergunta altera a lógica da gestão.
Já não basta perguntar qual é o fornecedor mais barato. É preciso perguntar qual é o fornecedor que nos deixa menos vulneráveis.
Já não basta perguntar qual é o stock mínimo. É preciso perguntar qual é o nível de reserva que nos permite continuar a servir clientes em caso de ruptura.
Já não basta perguntar como reduzir os custos fixos. É preciso perguntar se a estrutura aguenta uma quebra na procura, uma subida de custos ou um atraso nos pagamentos.
Já não basta perguntar como automatizar. É preciso perguntar: que conhecimento crítico não podemos perder?
A eficiência continua a ser importante. Mas eficiência sem resiliência pode transformar-se numa armadilha. Uma empresa demasiado optimizada para o mundo normal pode descobrir, tarde demais, que ficou frágil para o mundo real.
O desafio das organizações já não é escolher entre eficiência e resiliência. É aprender a desenhar sistemas que sejam eficientes em tempo calmo e resistentes quando o terreno abana.
Porque num mundo sujeito a um comboio de choques, a vantagem não pertence apenas a quem corre mais depressa. Pertence a quem consegue continuar de pé, adaptar-se mais cedo e decidir melhor quando os outros ainda estão à espera que a normalidade volte.
Escrevi o texto acima e, depois de jantar, fui a uma reunião. Ao regressar, lembrei-me de uma carta que tinha lido no FT de ontem, "Minsky's insight that stability is destabilising":
"That insight is Hyman Minsky's financial instability hypothesis: stability itself is destabilising. Periods of calm encourage the gradual accumulation of risk, while each successful intervention conditions markets to expect the next. The result is not irrational excess, but a system that adapts to the belief that severe shocks will be contained."
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