sábado, janeiro 10, 2026

Curiosidade do dia


"If Science Keeps Changing, Why Trust It?" publicado no  NYT de 07.01.

Fez-me recuar aos anos 80 e a uma conversa ao princípio da tarde, no piso superior de um autocarro, o 78, a caminho da Foz para ir à praia. A minha amiga Marina, estudante de Biologia na Faculdade de Ciências no Porto, comentava que já não se podia confiar no que se aprendia na universidade. Nessa semana, um dos seus professores voltou atrás e comunicou que algo que ele tinha ensinado uns meses atrás, afinal, estava errado, com base em nova informação publicada.

Também me fez recuar ao tempo da pandemia e à tanta gente que tratava a ciência como religião, incapaz de um pingo de precaução. Apesar de: as máscaras não, para depois, as máscaras sim.

O artigo responde a um argumento cada vez mais popular: se a ciência muda ao longo do tempo, abandonando teorias antes tidas como verdadeiras, então não é fiável e não deve ser confiada. O autor mostra que este raciocínio é enganador porque parte de uma visão simplista tanto da ciência como do cepticismo.

Também me faz recuar ao tempo em que li Popper acerca da ciência. A ciência não progride de forma linear nem converge para uma “verdade final” única; evolui através de múltiplos domínios, métodos e graus de fiabilidade. Mudança não é sinal de fraqueza, mas sim de robustez. O erro não está em corrigir teorias, mas em confundir esse processo com falência epistemológica.

Entre a fé ingénua, "a ciência está sempre certa", e o pessimismo cego, "a ciência está sempre errada", o autor defende uma terceira via: confiança informada, baseada na compreensão dos métodos, dos contextos e dos limites de cada afirmação científica. A ciência melhora precisamente porque é capaz de aprender com os seus próprios erros.
"The history of science is indeed a graveyard of theories, but the fact that science keeps changing is a mark of its strength."
Graveyard... fez-me recordar Max Planck:
"A new scientific truth does not triumph by convincing its opponents and making them see the light, but rather because its opponents eventually die, and a new generation grows up that is familiar with it."

Ou:

"Science progresses one funeral at a time." 





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