domingo, janeiro 04, 2026

Curiosidade do dia


Boas intenções não chegam ...

As pessoas bem-sucedidas não resistem melhor à tentação, organizam a sua vida para precisar de resistir menos. 

"Grown-ups, too, understand this struggle. In surveys, American adults have cited lack of willpower as the top barrier to changing behavior. Around the world, when adults have rated themselves on two dozen positive qualities, self-control has ranked dead last. Research also shows that exercising willpower feels pretty awful, whether you are resisting something fun or forcing yourself to do something unfun.

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The logical solution seems obvious: Try harder. Strengthen your willpower muscle. "Just say no," as Nancy Reagan admonished my generation. "Just do it," as Nike urges. Yet, as a psychologist who studies how people achieve their goals, I see the data leading to the opposite conclusion: Willpower is overrated.

Research shows that achievement has surprisingly little to do with forcing yourself to choose wisely in the heat of the moment. Successful people rarely rely on inner fortitude to resist temptations. Instead, many exercise situational agency, arranging their lives to minimize the need for willpower in the first place. [Moi ici: A capacidade de moldar o ambiente de modo a tornar o comportamento desejado mais fácil e o indesejado mais difícil. Em vez de depender de autocontrolo no "calor do momento", indivíduos eficazes antecipam fragilidades e redesenham contextos, fisicos, digitais e sociais. O ambiente molda o comportamento mais do que a intenção.]

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Institutions also have the power to change situations for the better. In schools that ask students to keep phones in their hallway lockers, as opposed to in their backpacks or back pockets, teachers report that students make more eye contact with one another. They talk. The lunchroom is louder, the way it should be.

No matter your age, situational agency empowers you to navigate what might be called an ultraprocessed world - an environment saturated with temptations engineered to be irresistible."

Apliquemos agora o mesmo raciocínio não a pessoas individuais, mas a organizações. Quando uma empresa atribui falhas à “falta de empenho”, “resistência à mudança” ou “défice de disciplina” das pessoas, está muitas vezes a evitar uma pergunta mais incómoda: em que sistema é que estas pessoas estão a tentar ter sucesso? O desempenho não emerge do carácter isolado dos indivíduos, mas da arquitectura de processos, incentivos, indicadores e ambientes que moldam o comportamento diário. Ignorar isto é confundir moral com gestão.

Daqui decorre uma implicação estratégica decisiva: investir em intenção, comunicação ou motivação sem redesenhar o contexto é ineficiente e, muitas vezes, injusto. O contexto, físico, digital e organizacional, acaba sempre por vencer, porque é nele que as decisões reais são tomadas, sob pressão, fadiga e ruído. Quando líderes culpam pessoas, estão a externalizar a responsabilidade por sistemas mal desenhados. Liderar, neste quadro, deixa de ser “pedir mais esforço” e passa a ser criar condições em que o comportamento desejado é o caminho natural, e não um acto de heroísmo. 

Recordo Deming e o seu "A bad system will beat a good person every time"

Trechos retirados de "Willpower Doesn't Work. This Does" publicado no NYT 02.01.2026

 

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