quinta-feira, junho 14, 2012

Podem limpar as mãos à parede

"Governo anuncia oito contratos fiscais. Investimento será de 157 milhões de euros"
"O ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou hoje a assinatura de oito contratos fiscais com empresas que resultarão num investimento de 157 milhões de euros na economia portuguesa e contribuirão para criar 352 postos de trabalho.
O Estado português vai conceder incentivos fiscais no valor de dez por cento deste investimento, cerca de 15 milhões de euros."
Se não me engano, são cerca de 42 mil euros por posto de trabalho criado.
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As empresas anónimas deste pais, entre Abril e Maio deste ano terão criado mais de 13100 empregos...
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Deixem-se da treta socialista de PINs, reduzam os impostos. Como gritava Moisés:
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LET MY PEOPLE GO

Correcção feita às 21:30

5 comentários:

Eduardo Freitas disse...

Os padeiros são outros, mas a padaria e os ingredientes lá usados são os mesmos dos anteriores ocupantes.

Acresce que, no domínio da aritmética, a operação da divisão não é praticada pelos governantes que têm por missão "fomentar" a economia. Este exemplo ilustra bem por que assim é.

Ricardo Proença disse...

De facto não se percebe este tipo de intervenções na economia.

Numa altura em que o próprio governo diz que é preciso reduzir os custos laborais na economia, neste caso aceita subsidiar, em termos líquidos, cada um desses trabalhadores/postos de trabalho em 30.469 euros (utilizando os últimos dados disponíveis para a remuneração média dos trabalhadores por conta de outrem disponíveis aqui http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/4107214).

Isto significa um premium de 251% face à remuneração média dos trabalhadores por conta de outrem.

Tudo para fazer aumentar o nº de empregados em 352, ou seja um aumento de 0,007% da população empregada(considerando que tudo se mantém constante e utilizando os dados mais recentes da população empregada disponíveis aqui http://www.pordata.pt/Portugal/Ambiente+de+Consulta/Tabela/4107217)

E ainda dizem que pagar 7% de juros de dívida pública é insuportável.

Para além disso não me parece que o rol de empresas anunciadas e o tipo de produtos que irá ser produzido seja de natureza disruptiva/radical face ao que existe no mercado e por isso apresente um perfil de risco tecnológico e comercial que justifique esse premium.

3 perguntas se impõem:

1 - A imagem/realidade da economia portuguesa é assim tão má que por cada investimento estrangeiro que seja feito é pagar um premium de 251% sobre cada trabalhador/posto de trabalho criado?

2 - Numa situação de crise mundial, a procura mundial por investimento estrangeiro é de tal forma superior à oferta que tem de se pagar um premium de 251% sobre cada trabalhador/posto de trabalho criado para ganhar esse investimento?


3 - Se considerarmos que a resposta às duas perguntas anteriores é negativa, isto configura uma situação de incompetência política/técnica da parte do governo ou é mesmo uma negociata ao melhor estilo do "o que é preciso é fazer obra"?

CCz disse...

Quando a ministra Cristas é o único ministro com nota positiva neste país... percebe-se que se calhar estão bem um para o outro, os padeiros e os súbditos

CCz disse...

Como dizia um CEO qualquer, recusava-se a fazer investimentos num país que lhe oferecia tantas e tantas benesses. Alguma coisa tem de estar mal num país que precisa de me subornar, dizia ele.

Anónimo disse...

O investimento estatal corresponde a 15 milhões de euros de isenções fiscais para um investimento de 150 milhões de euros que estas 8 empresas se comprometem a fazer. Se não for realizado o investimento, a comparticipação pública desaparece.

Vão ser criados 4460 postos de trabalho. Serão 352 novos e 4108 que se pretendem manter.

O rácio será de 3300 euros por trabalhador.