quinta-feira, novembro 18, 2010

Surreal

Sem redução de salários, sem importação de operários alemães, sem importação de empresários americanos, sem as benesses e os milhões de Pinho, impressiona o desempenho do sector do calçado.
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Chegou-se a uma situação surreal:
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"As razões: os sinais indiciam que o modelo de negócio das empresas europeias, assente numa grande capacidade de desenvolvimento e na resposta rápida, está a ganhar pontos no plano internacional. Com efeito, os já esperados aumentos dos custos de transporte, da mão-de-obra e mesmo da instabilidade, por via do acréscimo da tensão social na China (e outros países asiáticos) associados às dificuldades dos importadores europeus em acederem ao crédito (em virtude das novas regras impostas por praticamente todas as entidades bancárias fruto da crise financeira que se instalou) estão a “empurrar” várias marcas para o continente europeu. De um modo geral, é cada vez menos interessante do ponto de vista financeiro para as grandes marcas importarem a totalidade das suas colecções do continente asiático e, por esse motivo, começaram a redescobrir as virtudes da indústria europeia.

Vários sinais apontam para que a capacidade produtiva na indústria portuguesa de calçado esteja muito próxima da plenitude. No entanto, subcontratar a produção no exterior, em especial na Ásia, não se afigura como estratégica, na medida em que o modelo de negócio das empresas portuguesas assenta, fundamentalmente, na capacidade de resposta rápida e pequenas encomendas. Ainda assim, algumas empresas equacionam subcontratar partes da produção no Norte de África, em especial para Marrocos e Tunísia.
Outras, procuram “deslocalizar” para o interior do país. E há mesmo quem defenda a necessidade de formatação de um programa de apoio ao empreendedorismo específico para a criação de pequenas unidades industriais."
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Trecho retirado do artigo "Calçado esgota capacidade produtiva?" publicado no Jornal da APICCAPS (número de Outubro último)
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O artigo continua com uma enumeração de casos de empresas concretas, com nome, que lutam para arranjar empregados.
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10 comentários:

Carlos disse...

Muito boa gente já teria desistido com tanta ignorância institucional.

Jack Reed, mais uma vez:

"We had an interesting case at Harvard Business School. Basically, union organizer César Chávez, a hero of the left, felt grape pickers were under paid. He organized grape pickers and urged American to boycott grapes until the growers gave in to union demands.

Do you question that César Chávez was a hero to the left? There used to be a street in San Francisco called Army Street. To many in the past, our Army soldiers were heroes. They changed the name of that street to César Chávez Street.

So what did the hero do for grape pickers in the final analysis?

Generally, farmers do not want to employ union workers because they are too expensive and render farming less profitable or unprofitable. Also, farmers and ranchers are not the kind of guys who like to get pushed around by unions or anyone else. They would rather make less profit than employ union workers.

Driving up the cost of grape pickers in the U.S. has two anti-job effects. It makes U.S. grapes less competitive with foreign grapes and grape products like wine. It also changes the economics of automation. A farmer or rancher can afford to pay more for automation if the pickers cost more.

Many agricultural products like cotton and wheat have been automated by the use of elaborate mechanical harvesters including some that actually not only pick but also automatically box the product for shipment right in the field.

Grapes, however, were tricky. They grew on trellises. Some ripened before others. Chávez and others figured the growers have to employ us because they cannot automate grape picking.

Turned out they could automate it if Chávez drove up the price of union pickers thereby enabling the automation companies to charge more for their machines.

Farm machinery researchers figured out the following. Plant the vines a little farther apart so a grape-picking machine can have a set of wheels on each side of a line of grape vines. Have the grapes grow on a trellis made of wires of a certain thickness and composition and set at a certain tension level. Then pick the grapes with a machine that has a trough under the vines and a set of steel wands that strike the wires at a particular speed and force. The wand force and wire tension is set so only the ripe grapes fall into the moving trough attached to the picking machine. During harvest season, the machines move through the vineyard repeatedly until the number of ripened grapes falls below the operating cost of the machines.

Another “hero” in this is Edward R. Murrow. He did a 1960 TV documentary called Harvest of Shame. It showed the “plight of American migrant agricultural workers.”

I do not know if Murrow got a street named after him, but I would not be surprised if the farm machinery manufacturers have statues of Murrow and Chávez at their headquarters.

The now unemployed pickers have statutes and schools and streets and all that honoring Chávez.

Ignorance is bliss."

Em: http://johntreed.com/jobs.html

Filipe Garcia disse...

tenho tido alguns relatos da dificuldade de encontrar mao de obra no calçado pelo que isto tudo bate certo

este é um tema extraordinário par ao mercado puro (metro)

Jonh disse...

Excelente artigo. Aqui é descrito o paradoxo do sector do calçado face a outros sectores.

São, no entanto, postas a nu algumas carências do nosso sistema de ensino. Nas fábricas, que estão quase na sua capacidade máxima de produção, faltam trabalhadores. para além da inércia em trabalhar, é apontado o problema da falta de pessoal qualificado. Por que caminho tem seguido a nossa educação. Porque é que não se criam cursos de base tecnológica/profissional adaptados às reais necessidades?

CCz disse...

John, espere pelo fds... e por um modelo alternativo ao iefp

CCz disse...

Carlos,

Com Chavéz no nome... o que seria de esperar... middle name Hugo?

Pedro disse...

Boa noite,

Desculpem participar tão tarde... muito trabalho.

Adorei o 1º comentário. Acho que deveria ser um postal.

Deixo a questão, em especial ao Carlos, ao João e ao Filipe.

O que será que aconteceria se o governo anunciasse um aumento faseado de 30% (deve dar o minimo de Espanha acho) do salário mínimo em 5 anos? Seriamos menos competitivos? Ou eramos obrigados a migrar para um posicionamento industrial mais competitivo e de maior valor acrescentado?

Gostava de obter respostas.

PS Filipe, CNN?! wow

nuno disse...

Permitam-me uma colherada, a questão da falta de trabalhadores por vezes é vista só dum lado, e precisamos também ver o problema de outro ângulo, pergunto eu: Se a maioria das fábricas aumentasse ligeiramente o salário pago que aconteceria? Ja sei que temos um mercado distorcido por causa dos subsidios do estado e dos apoios no desemprego, mas, estando o sector/fábrica a produzir, a produzir caro, e a incrementar produções, será que o problema da mão de obra não se resolveria com uma pequena maior distribuição?

Jonh disse...

´Boa tarde

É verdade que muitos empresários, desses que têm sucesso, por exemplo nas suas empresas de calçado, podem pagar salários mais elevados. O SMN pode e deve ser, gradualmente aumentado, mas o Estado tem muito mais coisas para fazer do que impor um SMN mais elevado aos empresários.

Se é verdade que muitos empresários podiam pagar mais, o Estado não tem feito o seu trabalho de casa, agilizando e contribuindo para uma melhor competitivdade das empresas portugueses. Falamos em salários mas esqecemo-nos das viaturas que os empresários compram mais caras (sobretudo devido aos impostos), ao gasóleo mais caro, à electricidade mais cara. O Estado já fez alguma coisa para liberalizar o sector da gasolina ou da energia, fazendo com que haja concorrência e os preços fiquem mais baratos, tornando os custo de produção mais baixos?

É verdade que a saída das empresas está na diferenciação, mas não podemos também esconder o importância dos custos de produção quando os nossos produtos possam ser substituídos por produtos espanhóis ou italianos. Não defendo, contudo, a diminuição salarial, mas chamo a atenção para aquilo que deve ser feito para que as empresas portuguesas não tenham que pagar mais pelas bens essenciais relativamente aos restantes países.

CCz disse...

Pedro, Nuno e John ... please, não pensem como o ministro TdS.
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I will try to explain my point of view

Pedro disse...

Bom dia,

Acho que não perceberam o que eu perguntei.

Se o salário mínimo for aumentado, o que acontece?

Os empresários perdem, aparentemente, competitividade. Verdade? Segundo o Carlos e o primeiro comentário, não.

Seriamos obrigado a migrar para modelos de gestão mais modernos e para propostas ao mercado de maior valor... não baseado no preço.

Ou seja, acontecia o que aconteceu ao sector do calçado... competir por preço já não era uma opção. Tiveram de mudar.

Além disso, acho que outras coisas iam acontecer, os mais pobres iriam ter maior poder de compra... inicialmente, já que pouco depois os preços deveriam corrigir esta realidade e as coisas voltariam à mesma escala do passado (mas os ditos ricos, esse perderiam poder de compra)

Outra coisa é que todos pagaríamos mais SS e mais IRS (em valor) já que incidiriam sobre um valor maior.

Poderia continuar a escrever sobre o que ia acontecer… mas não sei se alguém está interessado nisso. Se acham a ideia completamente parva ou não…

Se for digam… para eu saber

Abraço