terça-feira, maio 06, 2008

Economia e biologia, o mesmo desafio evolutivo

Por vezes sinto que andamos todos em busca do mesmo Santo Graal só que por caminhos diferentes, com linguagens diferentes, com disciplinas e amostras diferentes.
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Eric Beinhocker no seu fabuloso livro "The origin of wealth" compara a economia com a biologia:
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“Economic wealth and biological wealth are thermodynamically the same sort of phenomena, and not just metaphorically. Both are systems of locally low entropy, patterns of order that evolved over time under the constraint of fitness functions. Both are forms of fit order. And the fitness function of the economy – our tastes and preferences – is fundamentally linked to the fitness function of the biological world – the replication of genes. The economy is ultimately a genetic replication strategy. It is yet another evolutionary Good Trick, along with leopard camouflage, bat radar, and fruit-fly eyes. The economy is a massively complex Good Trick built on the complex Good Tricks of big brains, nimble toolmaking hands, cooperative instincts, language, and culture.”
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Ontem, dei de caras com este artigo sobre biologia e eco-sistemas de plantas e produtividade de biomassa: "Plant diversity and ecosystem productivity: Theoretical considerations" de David Tilman, Clarence Lehman e Kendall Thomson.
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É impressionante como estes trechos têm tudo a ver com o desafio estratégico das organizações, com o seu posicionamento competitivo, e no entanto são sobre a competição de plantas, de vegetais:
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"As the simplest possible case consider homogeneous habitats in which all species compete for and are limited only by a single resource (o recurso escasso para as organizações são os clientes), and in which all individuals experience identical resource concentrations at any given moment. According to resource competition theory, of all the species initially present in a habitat, the one species with the lowest requirement for the resource would dominate at equilibrium, displacing all other species. The resource requirement of each species is measured by its R*, which is the concentration to which the resource is reduced by an equilibrial monoculture of that species. Although all habitats become monocultures at equilibrium (só que na economia o equilibrio dura pouco tempo), it is instructive to ask how initial species diversity influences their equilibrial total plant biomass and nutrient use. The answer, derived in
mathematical detail below, is that, on average, total plant biomass increases with diversity because better competitors produce more biomass and because the chance of having better competitors present increases with diversity. Let the species pool be a collection of plant species that are identical in all other ways but differ in their R* values. In any community selected from this species pool, the one species with the lowest R* would reduce the resource concentration to its R*, competitively dominate the community, and ultimately determine total plant biomass and resource use. In this model, better competitors produce more biomass because they obtain more of the limiting nutrient."
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E ainda:
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"On average, ecosystems started with sufficiently low diversity could experience net losses of nutrients, i.e., declines in soil fertility." Ou seja, sem diversidade de estratégias o destino é o declínio soviético.
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"In a habitat in which supply rates of these nutrients are spatially heterogeneous, no species would be competitively superior throughout the entire habitat. Rather, each species would leave sufficient unconsumed resources in regions away from its optimum ratio that some other species could invade and persist there."
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Pode-se aprender nos locais mais inesperados.

5 comentários:

Voluntária Angolana disse...

Querido Engenheiro, é verdade que se pode aprender em qualquer lugar. Mas não é verdade que se possa aprender com toda a gente. Consigo, sim, aprende-se e eu gostaria especialmente de aprender consigo a sua tão genuina humildade perante tudo o que o rodeia, a sua capacidade de "ver" onde outros só olham. Até o meu inglês tem melhorado consigo!
Um abraço da Voluntária Angolana

Teresa disse...

Nao sou mae do Balanced Scorecard, por isso estou livre de quaisquer supeitas de subjectividade.
Eu também tenho aprendido muito com este blogue: economia, ingles etc., acho até que o meu portugues tem melhorado.
Mesmo com a crise que estou a passar, nao deixo de ler este blogue de uma ponta à outra.
Os parabéns nao vao só para o Balanced Scorecard mas também para mae.
Liebe Grüsse

Raul Martins disse...

E eu só não aproveito mais porque inglês para mim...
Mas garanto-vos ums coisa, aprendi a "começar pelo fim" e a traçar objectivos: daqui a três anos sei inglês e vou fazer-vos concorrência. Fica decretado aqui: 6 de maio de 2011 estaremos a comentar em inglês. Não pode ser mais cedo? Não. O que resta deste ano e o próximo estou mergulhado no meu mestrado. Depois, já sabem.

Um sorriso para este círculo de amigos que eu cada vez mais agradeço a Deus por fazer parte dele.
Pois é, um blog de gestão que também onde fala destas coisas simples.

Raul Martins disse...

Para corrigir: onde também se fala destas coisas...

CCz disse...

You are all very kind.

Domo arigato gozaimasu.