Daqui:
"O ministro da Educação avançou que, só na última semana, dois mil professores meteram baixa médica. A Fenprof e FNE garantem que não são mais do que noutras profissões."
Depois, ouvi na rádio Observador comentários sobre este número, e alguém falou ao de leve em algo que poderia ser interpretado como "sabotagem".
Entretanto, ontem(?) no Público, o seu director "A função pública dos malandros do costume" andou à volta do tema.
Eu sou um cidadão anónimo da província, o meu negócio não é jornalismo, mas tenho memória. Bastou-me perguntar ao Google:
Estes números fazem-me lembrar alguns desafios em empresas. A empresa tem anos de dados sobre, por exemplo:
- número de reclamações;
- tempo de paragem por avaria;
- encomendas perdidas por atraso na entrega;
- quantidade perdida por causa de problemas de qualidade.
E quando esfregamos as mãos, a pensar nos projectos de melhoria que podem ser desenvolvidos com base nesses dados, apanhamos um valente balde de água fria ao perceber que para lá desse número não há mais nada.
X reclamações! De que clientes? Sobre que produto? Sobre que motivo? Quando ocorreram?
Y horas de paragem por avaria! Em que máquinas? Por causa de que motivo? Quando ocorreram?
Se o Ministério da Educação quiser realmente perceber o fenómeno, não pode ficar pelo número de baixas apresentadas. Tem de saber quantos certificados correspondem a professores diferentes; quantos são primeiras baixas e quantos são simples prorrogações; quantos prolongam situações que já vinham do ano lectivo anterior; quantos são recaídas depois de uma alta; quando começou efectivamente a incapacidade, quando foi emitido o certificado e quando foi comunicado à escola; qual a duração prevista; e como se distribuem os casos por idade, antiguidade, região, grupo de recrutamento e grandes categorias de doença, naturalmente com anonimização dos dados. Dois mil certificados podem representar dois mil novos doentes, mil professores com sucessivas prorrogações ou uma combinação muito diferente destas duas realidades.
E há alguma relação entre baixas e novas colocações distantes da residência?
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