Mão amiga mandou-me "Benteler Opens Plant in Morocco".
A notícia não é apenas "mais uma fábrica". É um indicador de uma mudança estrutural na indústria automóvel europeia. A Benteler escolheu Marrocos porque, para o tipo de produção que pretende fazer, o país oferece hoje uma combinação de factores que, em muitos casos, já supera a de vários países europeus: produzir perto do cliente; custos baixos; um forte ecossistema industrial; facilidade logística (proximidade do porto de Tânger) e baixos custos energéticos.
A abertura da primeira fábrica da Benteler em Marrocos, confirma o mecanismo descrito em "Não devia ser um drama, quase que podia ser celebrado": as actividades industriais mais sensíveis ao custo deslocam-se para territórios capazes de combinar salários mais baixos, proximidade dos clientes e um ecossistema industrial já funcional.
O modelo dos Flying Geese ajuda a interpretar esta evolução. Portugal atraiu, durante décadas, produção industrial intensiva em mão de obra porque oferecia custos competitivos e acesso ao mercado europeu; à medida que os salários subiram, parte dessa produção passou a procurar países como Marrocos, Tunísia ou Egipto. Isso não deveria constituir, por si só, um drama: é um processo normal de desenvolvimento, desde que Portugal avance para actividades mais sofisticadas, produtivas e capazes de pagar salários mais elevados. Infelizmente, isso parece não estar suficientemente desenvolvido.


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