sexta-feira, julho 31, 2026

Curiosidade do dia


"O secretário de Estado das Florestas anunciou hoje que o programa Floresta Ativa, de apoio à limpeza e gestão de terrenos florestais, será relançado “nos próximos dias”, com uma verba de quatro milhões de euros.
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O governante falava hoje durante a inauguração do novo Centro de Coordenação Operacional da AFOCELCA, empresa de proteção florestal detida pelos grupos do setor da celulose Altri e The Navigator Company, nas instalações da Celbi, na Leirosa, Figueira da Foz.
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O apoio é de 650 euros por hectare, indicou o secretário de Estado das Florestas, adiantando que o programa irá permitir, “agora, que todas as espécies, nomeadamente também a fileira do eucalipto, possa submeter a candidatura, com valores diferenciados”, uma vez que as intervenções também “são diferenciadas”."
É verdade que um eucaliptal limpo e acompanhado é menos perigoso do que um terreno abandonado. Mas essa comparação é demasiado conveniente. A comparação que interessa é entre um eucaliptal bem gerido e uma paisagem bem gerida, diversificada, com espécies autóctones, mais resiliente ao fogo, mais favorável à retenção de água no solo e à biodiversidade.

Agora, o Governo decide permitir que a "fileira do eucalipto" receba apoios do programa Floresta Ativa. E anuncia-o durante a inauguração de um centro da AFOCELCA, organização detida pela Altri e pela Navigator, nas instalações da Celbi. O cenário não podia ser mais elucidativo: a política florestal anunciada dentro da casa daqueles que mais beneficiam da continuação do actual modelo florestal.

Enfim, são muitas décadas disto... política pública para ajudar a consolidar a eucaliptização do território.  Quatro milhões de euros também podiam servir para começar a mudar a paisagem, apoiar espécies autóctones, recuperar solos, proteger a água e criar mosaicos florestais menos vulneráveis ao fogo.

Em Portugal, continuamos a pagar para gerir as consequências das escolhas do passado, em vez de investir na construção da paisagem de que precisaremos no futuro.

Trechos retirados daqui.

BTW, segundo a Quercus, as estatísticas oficiais classificam como "mato" vastas áreas de eucaliptal jovem, em regeneração ou após o corte. No incêndio de Arouca de 2024, por exemplo, mais de 80% da área ardida seria, segundo a associação, ocupada por eucaliptal, sobretudo jovem. No entanto, 62% foi oficialmente classificada como "fogo de mato".

Mesmo mantendo as reservas que hoje tenho em relação à Quercus, a questão merece uma resposta séria. Se uma parte significativa do eucaliptal ardido desaparece estatisticamente na categoria "mato", estamos a avaliar mal o peso desta cultura nos incêndios e a construir políticas públicas com base numa representação incompleta do território.



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