"O secretário de Estado das Florestas anunciou hoje que o programa Floresta Ativa, de apoio à limpeza e gestão de terrenos florestais, será relançado “nos próximos dias”, com uma verba de quatro milhões de euros....O governante falava hoje durante a inauguração do novo Centro de Coordenação Operacional da AFOCELCA, empresa de proteção florestal detida pelos grupos do setor da celulose Altri e The Navigator Company, nas instalações da Celbi, na Leirosa, Figueira da Foz....O apoio é de 650 euros por hectare, indicou o secretário de Estado das Florestas, adiantando que o programa irá permitir, “agora, que todas as espécies, nomeadamente também a fileira do eucalipto, possa submeter a candidatura, com valores diferenciados”, uma vez que as intervenções também “são diferenciadas”."
Agora, o Governo decide permitir que a "fileira do eucalipto" receba apoios do programa Floresta Ativa. E anuncia-o durante a inauguração de um centro da AFOCELCA, organização detida pela Altri e pela Navigator, nas instalações da Celbi. O cenário não podia ser mais elucidativo: a política florestal anunciada dentro da casa daqueles que mais beneficiam da continuação do actual modelo florestal.
Enfim, são muitas décadas disto... política pública para ajudar a consolidar a eucaliptização do território. Quatro milhões de euros também podiam servir para começar a mudar a paisagem, apoiar espécies autóctones, recuperar solos, proteger a água e criar mosaicos florestais menos vulneráveis ao fogo.
Em Portugal, continuamos a pagar para gerir as consequências das escolhas do passado, em vez de investir na construção da paisagem de que precisaremos no futuro.
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