Abri e vi os nomes dos financiadores do estudo. Será que o estudo alerta sobre conflitos de interesse?
O problema deste título está na visão económica que ele parece normalizar.
É muito mau confundir o futuro da economia portuguesa com a capacidade de continuar a importar mão-de-obra barata e indiferenciada para actividades de baixo valor acrescentado. Isso talvez não represente o fim da economia portuguesa. Pode representar, isso sim, o fim de certos modelos de negócio que só sobrevivem com salários baixos, produtividade fraca e abundância permanente de trabalhadores disponíveis.
Não deixa de ser curioso que o estudo seja financiado por empresas que precisam precisamente desse tipo de mão-de-obra. Nada como envolver a academia para transformar uma necessidade empresarial muito concreta numa inevitabilidade nacional.
A verdadeira pergunta devia ser outra: queremos uma economia que sobe na escala de valor, investe em produtividade, qualificação e melhores modelos de gestão? Ou queremos apenas manter em funcionamento sectores que, em vez de mudarem, pedem mais gente barata para adiar a mudança?
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