terça-feira, abril 28, 2026

Curiosidade da noite


A propósito de direitos adquiridos e outras estórias, "El Gobierno alemán anuncia un drástico recorte del estado del bienestar para reducir el déficit y pagar el rearme".

A Alemanha rica está a descobrir que até um Estado social rico tem limites; Portugal continua, muitas vezes, a discutir o Estado social como se os direitos já prometidos fossem imunes à demografia, à produtividade, à defesa, à dívida e ao crescimento fraco.

Há uma ironia quase pedagógica nisto tudo: a Alemanha, país rico, industrial, produtivo e fiscalmente mais robusto do que Portugal, começa a admitir que o Estado social não cabe eternamente dentro da folha Excel; enquanto isso, em Portugal, o Chega descobre uma forma revolucionária de resolver o envelhecimento, a baixa produtividade e a pressão sobre a Segurança Social: pôr as pessoas a reformarem-se mais cedo. Berlim olha para a demografia e conclui que é preciso trabalhar mais, gastar melhor e cortar promessas insustentáveis; cá, a solução populista é prometer mais anos de pensão, menos anos de contribuições e deixar a conta para alguém que ainda não vota. É o velho milagre português: queremos direitos alemães, produtividade modesta e aritmética venezuelana.


Sem comentários: