quarta-feira, fevereiro 19, 2025

Curiosidade do dia

Lembram-se desta Curiosidade do dia onde se podia ler:

"Sindicatos saíram da reunião com a garantia de que não haverá redução do número de trabalhadores" 

Hoje o DN traz um artigo, "Mais funcionários e mais burocracia eletrónica nos tribunais?", que ilustra porque é que o estado é irreformável:

"It is difficult to get a man to understand something when his salary depends upon his not understanding it" 

O artigo aborda a transição digital nos tribunais, destacando que essa mudança tem sido, em grande parte, uma mera migração da burocracia do papel para o digital, sem explorar plenamente as vantagens que o ambiente digital oferece. 

"A transição digital nos tribunais tem sido, em grande parte, uma migração da burocracia em papel para uma burocracia eletrónica, sem que se explorem plenamente as possibilidades que o digital oferece. 

A verdadeira digitalização vai além da simples substituição de arquivos físicos por imagens digitais, pois implica uma transformação mais profunda na forma como se processa, acede e partilha a informação [Moi ici: A Justiça tem simplesmente transferido processos físicos para o digital sem modificar a estrutura burocrática, resultando numaa "burocracia eletrónica" em vez de uma verdadeira modernização]

...

Em vez de desmaterializar, automatizar e desintermediar, os tribunais continuam a replicar a lógica do papel no mundo digital. Processos que poderiam ser fluidos e automatizados mantêm-se presos a liturgias pseudodigitais, com batalhões de funcionários a digitalizar, imprimir, assinar e arquivar documentos manualmente, num ciclo interminável que consome tempo e recursos. A impressão de resmas de papel e a dependência excessiva de intervenções humanas mostram que a transição digital ainda não atingiu o seu potencial. [Moi ici: Apesar da digitalização, os processos judiciais continuam a seguir a mesma lógica do mundo analógico, com funcionários dedicados a digitalizar, imprimir e arquivar documentos manualmente, o que gera morosidade. Extraordinário!!! ... Bom, na verdade nem sei como me surpreendo]

...

No entanto, a resistência cultural e o apego aos métodos tradicionais impedem que essas tecnologias sejam adotadas em larga escala. Muitos ainda preferem revirar processos físicos, como se a minúcia manual fosse sinónimo de rigor, ignorando que a tecnologia pode aumentar a precisão e a rapidez. [Moi ici: A mentalidade tradicional e a estrutura corporativa do sector jurídico impedem uma digitalização eficiente. Muitos profissionais ainda preferem lidar com processos físicos, acreditando que a análise manual garante maior precisão]

...

Enquanto os tribunais continuarem a replicar no digital os mesmos processos morosos do mundo analógico, o progresso será ilusório. A verdadeira transformação digital na Justiça só ocorrerá quando se abandonar a lógica do papel e se abraçar plenamente as possibilidades do digital, tornando os processos mais ágeis, acessíveis e eficientes para todos os intervenientes." [Moi ici: O verdadeiro avanço só ocorrerá quando os tribunais abandonarem a lógica do papel e adoptarem totalmente as possibilidades do digital, tornando os processos mais ágeis, acessíveis e eficientes.]

A "DVD leadership team" a funcionar em todo o seu esplendor e glória.

Qual o serviço do estado que não é gerido assim?

2 comentários:

Joao Rocha disse...

"A Justiça tem simplesmente transferido processos físicos para o digital sem modificar a estrutura burocrática ..."
Isto é transversal a toda a AP em Portugal. Os sistemas de informação na AP portuguesa informatizaram a burocracia. Os pseudo consultores que apoiaram a mudança, o que fizeram foi criar formulários electrónicos a partir dos formulários em papel, ipsis verbis.
Em vez de implementar as melhores práticas do mercado nas instituições onde prestaram serviços, apenas perguntaram aos burocratas como faziam as tarefas e replicaram isso no digital.
Em vez de procurar o conhecer o negócio e perante esse conhecimento propor reengenharia de processos apontado falhas e propondo adopção de melhores práticas, criaram formulários electrónicos para replicar o que se fazia no papel e com isso conseguiram o paradoxo de aumentar exponencialmente o consumo de papel.
A indigência que grassa nos profissionais dos sistemas de informação da AP e respectivos dirigentes também é cúmplice desta pseudo "transformação digital".

CCz disse...

É uma descrição impressionante de uma espécie de "laissez-faire" tenebroso e irresponsável.

Uma mentalidade doentia.