quarta-feira, julho 11, 2012

A estratégia é a história

Parte I e parte II.
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Qual o papel de um empresário?
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Quando todo um sector passa a vida a dizer mal da vida, o que pensam que farão os que, tendo valor,  poderiam equacionar ir trabalhar para esse sector? Pois, não é impunemente que se diz mal!
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"what I really am is its Chief Story Teller.”
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What she meant is that she believed that telling a story was her most important task as a CEO. Actually, she insisted, her job was to tell the same story over and over again. And when she said ‘a story’, she meant that her job was to tell her representation of the company’s strategy: the direction she wanted to take the business and how that was going to make it prosper and survive. She felt that a good CEO should tell that kind of story repeatedly, to all employees, shareholders, fund managers and analysts. For, indeed, a good strategy does tell a story.
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The most important thing for a CEO to do is to provide a coherent, compelling strategic direction for the company, one that is understood by everyone who has to contribute to its achievement. For that, a story must be told.
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First, the story must provide clear choices. ... A good strategy story has to contain such a set of genuine choices.
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Second, the story must tie to the company’s resources. Importantly, the set of choices has to be clearly linked to the company’s unique resources, those that can give them a competitive advantage in an attractive segment of the market.
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Third, the story must create a competitive advantage. The story must not only provide choices that are linked to resources, it must also explain how these choices and resources are going to give the company a competitive advantage in an attractive market, one that others can’t easily emulate.
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Thus, it has to be clear from your strategy story why the market is attractive and how the resources are going to enable you to capture the value in that market better than anyone else.
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if you get your story right, it can be a very powerful management tool indeed. It works to convince analysts, shareholders and the public that where you are taking the company is worth everyone’s time, energy and investment.

Perhaps even more importantly, it can provide inspiration to the people who will have to work with and implement the strategy. If employees understand the logic behind a company’s strategic choices and see how it might give the company a sustainable advantage over its competitors, they will soon believe in it. They will soon embrace it. And they will soon execute it. Collective belief is a strong precursor of success. Thus, a good story can spur a company forward and eventually make the story come true."
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O protesto dos funcionários públicos é o de ... tornar menos atraente a carreira de funcionário público. Assim, talvez mais mentes se dediquem a actividades que não vivem do orçamento do Estado.

Trechos retirados de "Strategy is the story"
Continua com o perigo das histórias.

5 comentários:

Carlos Albuquerque disse...

Não foram os protestos dos funcionários que criaram a história que se conta sobre a função pública.

Mas a questão fundamental é: que sociedade queremos ter daqui a uns anos? Uma em que só os incapazes estejam na função pública? Juízes menos capazes do que os advogados, professores menos capazes do que os alunos, ser atropelado e pedir que não o levem a um hospital público porque os médicos são incapazes?

O que mais me surpreende é a facilidade com que certas histórias penetraram em muitas cabeças de modo que estas questões deixaram de ser discutidas.

O estado em Portugal tem alguns sistemas a funcionar muito bem. Destruir é fácil. Construir é difícil, mesmo com iniciativa privada. Veja-se o exemplo das universidades privadas: tantos anos de iniciativa privada para fazerem o que andam a fazer.

Carlos Albuquerque disse...

A propósito desta vontade de destruir o estado em Portugal sem se apresentar uma justificação minimamente sustentada, só me lembrei do que li mais abixo:

"Priming... algo que quando li "Thinking, Fast and Slow" de Daniel Kahneman me meteu medo, por causa das possibilidades de manipulação que permite:

"you must accept the alien idea that your actions and your emotions can be primed by events of which you are not even aware."

CCz disse...

A propósito da vontade de defender o Estado a todo o custo, recordei-me desta frase de Upton-Sinclair:
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"It is difficult to get a man to understand something, when his salary depends upon his not understanding it"

Carlos Albuquerque disse...

A diferença é que não defendo o estado a todo o custo.

Apenas peço razões para uma gestão do estado que o pretende destruir globalmente, privando-o dos mais competentes.

Imaginava eu que se pretendia um estado que, quaisquer que fossem as suas dimensões, fosse bem gerido e fosse competitivo na captação de recursos humanos.

A questão é: como ficamos depois de destruirmos todo o estado? É isso que se pretende? Tem a certeza que ficamos melhor?

O que me parece pouco racional é que se recomende a quem gere o estado o que em caso algum se recomendaria a nenhuma empresa, a menos que o objectivo fosse destruí-la rapidamente.

Os gestores das empresas privados foram aliás os primeiros a dizer que nas suas empresas nunca poderiam fazer cortes cegos.

Por isso pergunto: queremos viver num país em que os juízes, polícias, militares e funcionários sejam sistematicamente os mais fracos e menos capazes?

Carlos Albuquerque disse...

Parece-me que o sector privado em Portugal se habituou a pensar no estado como um concorrente que lhe retira recursos humanos. E parece-me que para um empresa um concorrente é sempre algo que não faz falta.

Mas será que o estado é apenas um concorrente descartável? Historicamente as funções do estado nunca ficam vagas nem são ocupadas por pequenas ou médias empresas.