quinta-feira, maio 22, 2008

Em busca de um monopólio.

Este artigo "The Comparative Advantage Theory of Competition" (de Shelby Hunt e Robert Morgan) impressionou-me.
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Impressiona-me hoje, em 2008, que em 1995 ainda alguém tivesse que perder tempo a enterrar a teoria neoclássica da competição perfeita.
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Impressionou-me "perfect competition is the only theory of competition that college students ever see"...
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Percebi o racional de algumas intervenções de Francisco Louçã: "abnormal profits" como "profits different from that of a firm in an industry characterized by perfect competition"
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Todo o trabalho que desenvolvo nas organizações tem um fito, procurar "abnormal profits".
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Como?
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Procurando dinamitar as situações de "perfect competition".
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Só se pode aspirar a rentabilidades superiores se se conseguir ser diferente dos outros. Ser diferente implica um afastamento da situação de competição perfeita.
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Quando uma organização adquire uma posição de vantagem comparativa sustentada, por exemplo, o bar de praia que melhor atende, melhor serve os clientes num raio de 10 km, de certa forma cria um monopólio, não está no mesmo campeonato dos que servem mal, dos que são mal educados, dos que têm falta de higiene, dos que têm falta de pessoal, dos que...
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É este tipo de monopólios que ajudo a criar.

5 comentários:

Teresa disse...

Caro ccz:
Este artigo ainda nao o li, para ler o seu blogue preciso de de mais tempo.
Acabo de sair do blogue do Raúl, onde encontrei o nome Charles Darwin. Caí da cadeira!
Ccz a sua opiniao é para mim muito importante. Se nao a quiser por aqui ou no blogue do Raúl, escreva-a no meu, pois aí ninguém a le, a nao ser eu.
Nao quero entrar em polémicas (apesar que adorava) Darwin ou Bíblia? Tenho grande curiosidade do que o ccz pensa.

Se as suas convicoes nao magoem ninguem, podia escrever aqui sobre esse assunto.

Desculpe-me!

CCz disse...

Cara Teresa,

Vou almoçar agora, mas prometo responder aos dois comentários mais logo.
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Para já, quanto dilema entre Darwin e a Biblia, começo (é só o começo) por lhe dizer que para mim não há dilema nenhum (Teilhard de Chardin era sacerdote, não era? E jesuíta ainda por cima. Veja: http://en.wikipedia.org/wiki/Pierre_Teilhard_de_Chardin )

CCz disse...

Há religiões que acreditam que o seu livro sagrado foi ditado por Deus, há correntes do Cristianismo que acreditam que a Biblia foi ditada por Deus. Quando o livro sagrado é ditado por Deus... é difícil não ser fundamentalista, pois se Deus-Todo-Poderoso mandou escrever aquilo, interpretar aquilo, fugir do valor facial é uma heresia, é uma cadeia de coerências que começa a ruir.
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Eu acredito que os textos da Biblia foram escritos por humanos inspirados pelo Espírito Santo. O Espírito inspira, agora os humanos escrevem na linguagem do seu tempo, para os humanos do seu tempo. E isso abre campo a um tema fascinante que já comentei com o Raul em tempos, a exegése biblíca. Olhar para um texto, e procurar a mensagem para lá da fachada. Qual o verdadeiro sentido da mensagem? Os humanos que escreveram o Evangelho de São João não estavam interessados em contar a história da vida de Jesus de Nazaré, estavam interessados em transmitir a mensagem de Jesus de Nazaré.
Quando no Evangelho de São Mateus(?) Jesus afirma que veio para criar divisões entre pais e filhos, temos de perceber que a mensagem foi escrita algures entre o ano 60 e 70 depois de Cristo, para uma seita ameaçada de exclusão. Os seguidores de Jesus faziam parte de uma seita integrada no judaísmo, por essa altura, a hierarquia oficial judaica, excluíu o cristianismo nascente do judaísmo e proclamou que quem não abandonasse essa seita era excluído da grande família judaica, excomungado diriamos hoje. Perante esse dilema, aparece o texto a dar força a quem se encontrava de um lado da barricada como familiares do outro lado.
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Em tempo houve um filme que gerou muita polémica, pois eu achei a ideia fascinante.
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No Novo Testamento há uma passagem em que o Diabo aparece para tentar Jesus, promete-lhe poder, glória,... e não consegue nada.
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O que o filme propunha era espectacular, o Diabo voltar a aparecer a Jesus já na cruz, não para lhe prometer poder e glória, mas para o tentar como uma vida simples, ter uma família... acho a ideia fascinante, independentemente do que pensa a hierarquia.
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Voltando a Darwin, se ler o primeiro parágrafo deste postal: http://balancedscorecard.blogspot.com/2006/11/da-service-profit-chain-at-ao-mapa-da.html

Se souber que quando frequentava o ciclo preparatório o meu pai andava a fazer a sua licenciatura e estudava paleontologia e eu lia alguns dos livros e sebentas por onde ele tinha de estudar, para mim pessoalmente sempre achei absurda a ideia de que a Biblia e Darwin são incompatíveis.
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Assim como não acredito no valor facial de um Adão e de uma Eva. Acredito que Adão e Eva representam, personificam uma mensagem para nós humanos.
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Também não acredito que os humanos começaram por ser imortais, acredito sim que a humanidade começa quando nós humanos percebemos que somos mortais. O peixe que tenho no aquário da cozinha, ou a dela que está lá fora a ladrar não fazem, não têm ideia de que têm um tempo de vida finito, de que vão morrer, de que o tempo que vão viver é um bem escasso e que por isso deve ser bem investido.
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Já escrevi de mais...

Maria do Carmo Cruz disse...

Moço Bonito, como a sua Mãe vai ficar orgulhosa quando ler isto! Você fala como um Profeta. Um Profeta de hoje. Deus o abençoe. Um abraço, Voluntária Angolana

Teresa disse...

Agradeco-lhe muito ter sempre pacienca para responder às minhas perguntas.
Sao as pessoas que nao acreditam em Deus que com ele se mais ocupam. Esta frase nao é completamente minha. Sei que um filósofo, penso que Satre, disse qualquer coisa assim parecida.
O que eu quero dizer, que neste momento ainda nao posso dizer o que penso a este respeito. Tenho que reflectir. Mas gostava de voltar a este tema. Além disso ainda nao acabei de ler o que me indicou.
O Teilhard de Chardin já ouvi falar nele em relacao a St. Agostinho, mas já nao me lembra de nada.
Veja no blogue do Raúl: Concurso "Na Senda de Darwin" os comentários.

Boa noite!