domingo, setembro 26, 2010

Enredados no politicamente correcto

Este título do Público é tão ingénuo... "País tem mais engenheiros e doutorados mas a economia ainda não reage", está-se tão enredado no politicamente correcto que não se vê mais nada.
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Quer as startups tecnológicas quer os PINs padecem do mesmo defeito, não têm massa crítica para levedar uma economia. Uma economia só mexe com a actuação de uma multidão de agentes individuais.
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Assim, às três pancadas posso desenhar dois gráficos que representam uma parte da minha experiência de vida, com honrosas excepções naturalmente:
Quanto mais anos uma pessoa passa no sistema escolar, mais formatada fica, mais "entitled" se sente, mais medrosa se torna, logo, menos predisposição para arriscar e empreender.
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Este outro gráfico parece brincadeira mas tem muito de verdade, como me demonstrou o dono de uma fábrica, sem formação universitária, que no espaço de um mês fez uma pequena revolução:
E quando se quer relacionar emprego e economia com formação nunca esquecer as palavras de Galbraith, ou paradoxo citado pelo presidente da câmara de Guimarães.

23 comentários:

Jonh disse...

Caro Carlos,

Pertinente esta sua associaçao entre formaçao e empreendedorismo.

Considera que deveria de haver mais cursos vocacionados, por exemplo, para o empreendedorismo? Talvez devesse haver mais cursos directamente vacacionados para o empreendedorismo, onde se ensinassem as mais modernas tecnicas de gestao.

Nota: devido a um problema no meu computador, a minha escrita esta sem acentos.

CCz disse...

Cursos para o empreendedorismo dados por quem? Por professores? Que experiência de vida empreendedora podem dar? Que exemplo podem representar?
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Repare John é muito mais profundo do que isso. Por exemplo, são anos e anos a ser formatado: a obedecer, a que existe alguém com as respostas certas.

Jonh disse...

Haverá, concerteza, pessoas (por exemplo consultores, com elevada experiência que esteja apto para dar formação a um curso de empreendedorismo, com elevado teor prático e estratégico.

Não sei se concorda comigo, mas num país defecitário como Portugal de bons investimentos, boas estratégias, não faz muito sentido que nao haja cursos universitários de empreendedorismo (não sei se há, mas se existir, são concerteza poucos). Formar economistas, contabilistas e engenhheiros apenas não fará muito sentido se não houver empreendedores.

nuno disse...

Tenho muita dificuldade em compreender o que se poderia dar numa cadeira dessas. É como as cadeiras de inovação... No instituto de cá, tenho colegas a tirar o mestrado, e contam-me que têm uma cadeira que se chama inovação, dada por uma professora que saiu agora da universidade, eu pergunto-me: Mas como raio vamos ensinar alguém a ser inovador??? Inovação é ruptura, empreendedorismo é pro-actividade, como ensinamos alguém a ter uma atitude de ruptura e de pro-actividade??? Não consigo conceber
(desculpem a intromissão :P)

CCz disse...

Nuno, também estou nessa onda... "uma cadeira que se chama inovação, dada por uma professora que saiu agora da universidade"
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A melhor receita é divulgar as boas experiências e criar a inveja que democratiza a ideia de "Também sou capaz!"

Jonh disse...

Li os comentários do Nuno e do Carlos e, de vez, não me convenceram: concordo com o Carlos quando diz que a melhor receita é divulgar as boas experiências - é o que este blog tem feito, e bem. Mas pensam que a maior parte dos nossos empresários tem noção do que aqui, "neste simples blog", se fala? - Não, não têm.

Muitos nunca ouviram falar em plano de marketing, em público-alvo, em satisfazer necessidades, em estratégia de preço e estratégia de diferenciação. Então não é isso que se pretende num curso de empreendedorismo? Como diz o Nuno, realmente não existe forma de ensinar o que é a inovação, Mas há forma de ensinar estratégia, gestão do pessoal, atendimento, liderança, um pouco de fiscalidade, etc...

Penso que cursos de empreendedorismo, com vertente extremamente prática e aplicável (muitos cursos são demasiados teóricos e esquecem a aplicabilidade prática das coisas, tinham um impacto positivo. Muitos sairiam do curso muito maus preparados para enfrentar os desafios que o empreendedorismo todos os dias vão aparecendo.

Pelo contrário, vejo muitos jovens enveredarem por cursos, alguns deles quase mitológicos, que os leva a "lado nenhum".

CCz disse...

http://www.stanleytang.com/blog/256-must-read-content-for-all-tech-entrepreneurs/

Pedro disse...

Boa tarde,

Tendo a concordar com o CCz e com o Nuno.

Duas ideias:
- Cruzei-me com estes jovens - http://asmartbusiness.web.ua.pt/ - Acho boa iniciativa

- Obrigar todos os licenciados a executarem um estágio curricualar em que só seriam aceites relatórios do seguinte tema: Análise de um produto ou processo e proposta de melhoria do mesmo.
Imaginem que 10 % destes jovens apresentavam uma pequena melhoria... e que 1% apresentava uma grande... era uma revolução de inovação.

Além disso, nas ideias anteriores estamos a criar aos jovens uma rotina de pensamento virada para a melhoria continua e para a inovação... que gera empreendedorismo (às vezes)

Quanto ás aulas, tive um professor de Inovação alemão (Pintor e artista!!) que centrou as suas aulas a fechar 8 alunos numa sala e durante 10 horas discutirem ideias de novos negócios (com duas apresentações dos desenvolvimentos a meio). Caricato? Resultou... boas ideias nasceram e acho que dentro de alguns o processo criativo/empreendedor foi desbloqueado. :)

Abraço

Jonh disse...

Boa tarde Pedro,

Bem vindo ao debate:)

Aquilo que diz no último parágrafo (apesar de não ter a certeza que aquele caso resulte de facto noutros elementos), evidencia a importância da formação - aliás, eu, como o Carlos e o Nuno, não defendo que a inovação se possa ensinar.

Tenho a ideia, talvez errada - não sei -, que os próprios cursos de gestão são muito fraquinhos. Não penso que o simples facto de haver um curso de gestão ou empreendedorismo possa revolucionar tudo isto, mas defendo que se ensine melhor nas nossas escolas, que se ensine o que realmente é importante.

Apesar de reconhecer que muitos empresários, sem qualificações, têm feito trabalhos extraordinários, tambem sei que, excepuando a boa vontade, o ímpeto de arriscar, falta-lhes muita coisa, falta-lhes uma visão estratégica, falta-lhe uma luz que lhe diga: tenho de decidir, não posso continuar a vender tudo a toda a gente, tenho de tomar decisões. Não sou crítico dos empresários, antes pelo contrário, mas reconheço que muitos, aquando de uma crise na empresa, não conseguem perceber de onde é que vem a crise, não conseguem arranjar soluções.

Cumprimentos,

João

Pedro disse...

Então e as ideias tão giras que eu dei !!! Não merecem comentário? ohhh Pensei que a minha teoria de criar a mecânica de raciocinio da Inovação e do Empreendedorismo na cabeça dos jovens fosse chamar a atenção :)

1º Quanto às aulas, o que aconteceu com o Alemão, não foi propriamente dar aulas... ele mostrou uns acetatos durante 2 horas sobre inovação e criatividade. Ele o que fez foi criar um choque (simulado) na nossa vida pacata. Obrigou-nos a criar, a inovar... obrigou um certo mecanismo funcionar dentro de nós... e foi por isso que teve sucesso.

2º Quanto aos empresários... Pq é que o João não abre uma empresa aceitando um certo nível de risco? Tem todas as qualificações!! o Know how... a capacidade... tem contactos. É o candidato ideal. Mas pq é que não se atira à aventura?
No seu caso não sei, mas no caso dos empresários que fala, e eu conheço muitos, acho que (um dos factores) os que o que os atirou para a criação de empresas foi exactamente a ingorância de como é complexo gerir uma empresa. Imagine que lhes dizia que tinha de criar planos estratégicos e fazer um plano de negócios. Desistiam logo. Para eles o inicio foi a fazer algo que sabiam e conheciam muito bem, tentando fazer melhor e de forma mais eficiente que o vizinho (que normalmente fazia igual). Foram crescendo em tamanho e alguns cresceram em mentalidade, outros não. O problema é que os Joões e os Pedros que estudaram e aprenderam, não têm a capacidade de simplificar um negócio ao ponto do plano estratégico inicialmente estar embebido nas acções do negócio sem ter de estar escrito e publicado. A capacidade de saber fazer bem uma coisa e partir daí crescer. Assim temos um vazio entre esses patrões deseducados mas corajosos e a nova geração educada mas medrosa (por, por exemplo, pensar grande e complexo logo á partida), que não foi capaz de os substituir acomodando-se a trabalhar para eles e a rezingar "Ai, o meu patrão é mesmo bronco..."

Acho que devo ter mil erros no meu post... não tenho tempo para corrigir.

Desculpa João, usei o teu nome como uso o meu. Sei que disse alguns sacrilegios mas olha... é a vida. (podem bater á vontade)

Querem um desafio? Vamos criar um blog só para dar ideias de negócios e vamos abrir um negócio cada um. Só assim damos a volta a isto do empreendedorismo, sendo empreendedores.

CCz disse...

"o que os atirou para a criação de empresas foi exactamente a ingorância de como é complexo gerir uma empresa. Imagine que lhes dizia que tinha de criar planos estratégicos e fazer um plano de negócios. Desistiam logo."
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Acho esta justificação tão atraente. Já pensei em algo parecido...
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Há anos visitei uma exposição anual que o Colégio dos Carvalhos faz com trabalhos dos alunos. Relativamente aos cursos profissionais vi tão boas ideias... na área da electrónica, na área da energia solar, na área de serviços, ...
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E se os alunos/cidadãos fossem bombardeados com frases como "Amanhem-se!" ou "Desenmerdem-se!"
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CCz disse...

E esta hem!!!!
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http://www.acceleratingfuture.com/michael/blog/2010/09/peter-thiel-has-new-initiative-to-pay-kids-to-%E2%80%9Cstop-out-of-school%E2%80%9D/

Jonh disse...

Bom dia Carlos e Pedro,

Li os vossos posts. Concordo com o Pedro quando diz que ser empresário não é facil. Totalmente de acordo. Então por que é que se forma um empresário sem formação!! (ao contrário do que possam ter interpretado, louvo o trabalho da maior parte dos empresários, dadas as condições são quase super-homens). No que respeita a constituir negócio, sou um pequeníssimo ENI, que trabalha por sua conta e risco. Espero, num futuro não muito longínquo abrir uma empresa.

Por reconhecer a dificuldade elevada de ser empresário, é que defendo mais formação, mas não uma formação qualquer, a formação de que fala Sócrates e companhia. Uma formação técnica, prática e compreensível. Aqui, neste blog discutem-se e aprende-se muita coisa importante para a vida empresarial. Tomara eu que metade dos pequenos empresários conhecessem metade do que aqui se fala.


A formação de que falo basear-se-ia em analisar casos práticos de sucesso/insucesso. Peço desculpa por me estar a alongar. Temos de continuar esta discussão (saudável) num post mais acima.

Cumprimentos,

João

Jonh disse...

Mais uma vez,

Acabei agora de dar uma espreitadela no post que o Carlos sugeriu, onde se dá dinheiro para as crianças sairem da escola. Não sei até que ponto dar um subsídio pode resolver o quer que seja.

Penso estar a ser mal interpretado. Eu não defendo mais licenciados, pois considero que estamos a lançar pessoas qualificadas no desemprego, é inevitável, ainda por cima depois de se ter gasto muito dinheiro e tempo em formação. Defendo apenas que se ensinem as coisas certas nos cursos certos. Vocês concordam com o que se aprende nos actuais cursos de gestão?

O Carlos falou, e bem, em cursos profissionais. São, neste marasmo que se chama educação, os únicos que ainda têm a minha apreciação. Acabaram-se os tecnológicos, mas começaram as novas oportunidades (que até pode ser bom se orientado para quem deve ser, e não como se faz - quem quer entra nas novas oportuniadades). Li há uns tempos atrás, não sei onde, que o número de pessoas licenciadas que entram no negócio do empreendedorismo é baixíssimo. Talvez se deva ao défice na formação (quero crer que sim) ou então o Carlos e o Pedro têm toda a razão: a formação afasta os jóvens do empreendedorismo.

A formãção é importante, é uma necessidade, mas não a todo o custo, como se tem feito ultimamente.

Como Vêem isto da formação dá pano para mangas.

Pedro disse...

Bom dia,

Obrigado CCz pelo link. É sem dúvida algo interessante, out of the box. Não sei se concordo com toda a ideia mas que pode ser um ponto de partida para mais pode.

Tem razão quando sugere que a justificação é fraca. E o João tem razão quando diz que eles deveriam fazer e se preocupar com os detalhes mais estratégicos de longo prazo.
No entanto, foi esta gente de fez o nosso país saltar mais um degrau nos anos 80. Um degrau que permitiu que as novas gerações estudassem mais e melhor, supostamente para darem continuidade ao seu trabalho, do ponto onde eles (quase todos) pararam, por falta de conhecimento para darem o próximo passo. O que acho é que isso não aconteceu. Essa nova geração (agora nos 40’s) não tomou as rédeas da situação. E a geração seguinte tb não. Ainda estão escondidos atrás dos “patrões” maus e “short minded “.

Na minha vida profissional continuo a encontrar a maior parte das empresas geridas por pessoas entre os 50 e os 70 anos, muitas vezes com o défice que o João falou atrás.

Sabe o que me chateia, e desculpem se fui inconveniente em alguma coisa, é que as gerações mais novas continuem a culpar os velhotes gestores, que já fizeram tanto, por não terem conhecimentos de gestão e de estratégia, quando as suas gerações não têm a coragem de darem um passo em frente como eles deram a seu tempo.

Actualmente, vejo novas empresas a surgir. Sabem uma coisa? São uma minoria as que nascem de pessoas com as tais qualificações de gestão. Continuam a ser Engenheiros ou operadores que sabem fazer muito bem uma coisa e que tentam a sua sorte a fazer melhor que o vizinho, sem planos estratégicos. Deveriam fazer planos de marketing, de viabilidade e estratégicos? Deviam. Fazem? Não Quem sabe faz? Não se está para chatear.

Então e o pessoal formado? Inteligente? Capaz? Educado?

Meus senhores. Quem lê este blog tem de fazer parte deste último grupo (ou não o lia). O que estão vc a fazer neste momento? A criar empresas? A ajudar empresas a criarem estratégias? A fazer a diferença? Sei que o CCz o faz, escrevendo este blog e atiçando as nossas mentes… mas nós, os restantes? Na prática o que estamos a fazer?

Como poderemos como grupo trazer essa mudança? A mudança tem de partir de alguém? Pq não de nós?

Desculpem se estou a ser inapropriado. Acho que por vezes temos de ser disruptivos no discurso para tentar trazer dinâmicas activas ao grupo.

Pedro disse...

Desculpa João,

Não tinha visto os teus posts (tou a trabalhar e a dar umas corridinhas para escrever mais qq coisa).

100% contigo nos cursos tecnológicos.

A minha empresa é fundadora da Escola Técnológica de VLC, tendo contribuido financeiramente para a sua constituição.

Uns 25% dos quadros técnicos desta empresa vêm desses cursos. São muito mais terra a terra que os licenciados, mais práticos e no final, mais úteis.

Hoje, alguns ocupam posições de destaque para as suas idades (1 a resp. da Qualidade, 1ª na Tesouraria, 1 principal técnico da área de automação) Outros estão a crescer para tomar posições de destaque.

Ou seja, na prática, os cursos profissionais funcionam, o problema é que são caros!! Bem mais caros que ter uma secretária, um livro e um professor.

Temos de ter ,máquinas, computadores, materiais... etc etc e por isso acabam sempre por os matar. Custam mais que os "normais" e não ajudam tanto á estatistica. Como dar a volta? Parcerias publico privadas nas tecnológicas?

Não quero falar nas "Novas Oportunidades". Fico deprimido.

Abraço, tou a adorar!

Pedro disse...

Ahhh, para terminar:

O que o João quer está aqui:

http://www.catim.pt/Catim/FormEmp/

Parece bem? Como melhorar?

Jonh disse...

Tal como o Pedro, infelizmente não tenho mais tempo para postar aqui e discutir mais severamente e aprofundadamente o tema. NO entanto, considero um debate interessente.

No que respeita às nossas divergências, afinal até são poucas:).

Quando falei, no início dos comentários, em formação estava a referir-me a mais formação prática, não aquela que se tem ensinado nas universidades. O ensino técnico era óptimo. O ensino profissional, sem o técnico, continua a ser bom, o melhor.

Relativamente aos empresários, eo contrário que possa ter sido compreendido, tenho enorme admiração por quase todos eles (como em todas as profissões existem os maus). No entanto, denoto alguma impreparação, do ponto de vista da estratégia da empresa, em alguns deles.

Jonh disse...

Tal como o Pedro, infelizmente não tenho mais tempo para postar aqui e discutir mais severamente e aprofundadamente o tema. NO entanto, considero um debate interessente.

No que respeita às nossas divergências, afinal até são poucas:).

Quando falei, no início dos comentários, em formação estava a referir-me a mais formação prática, não aquela que se tem ensinado nas universidades. O ensino técnico era óptimo. O ensino profissional, sem o técnico, continua a ser bom, o melhor.

Relativamente aos empresários, eo contrário que possa ter sido compreendido, tenho enorme admiração por quase todos eles (como em todas as profissões existem os maus). No entanto, denoto alguma impreparação, do ponto de vista da estratégia da empresa, em alguns deles.

CCz disse...

http://lundxy.com/2010/09/lets-meet-under-a-common-religion-entreprenuership/

CCz disse...

URGENTE,

Vejam o acetato 134 aqui:

http://www.slideshare.net/garr/slides-in-pdf-from-safari-webcast-presentation?from=ss_embed

CCz disse...

A FCF ainda não se lembrou desta: "construam-se mais garagens" #tedxedges

CCz disse...

http://www.ionline.pt/conteudos/TEDxEdges.html