terça-feira, junho 10, 2008

Também estava escrito nas estrelas.

«Vieram dos empresários as críticas mais violentas. Confrontados com a recessão económica que atingiu a Europa, em 1992-1993, e pouco vocacionados para apostar no aumento da produtividade, na inovação e na melhoria da qualidade dos produtos, e habituados a que o escudo fosse, de vez em quando, desvalorizado para colmatar as dificuldades de competitividade das empresas, não admitiam que essa possibilidade desaparecesse.
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Em 25 de Setembro de 1992, num hotel do Porto, num jantar organizado por Eurico de Melo com um grupo de grandes empresários do Norte, bem me esforcei por explicar a importância da política de estabilidade cambial para o futuro da economia, mas tive pouco sucesso. Chegaram a acusar-me de querer destruir a indústria portuguesa, o que me incomodou e entristeceu. Quando, cerca da meia noite, recolhi ao quarto levava comigo um certo desânimo. Apoderaram-se de mim interrogações sobre se Portugal, com os empresários e os sindicalistas que tinha, conseguiria vencer o grande desafio da união monetária.»
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(Cavaco Silva, Autobiografia Política II, p207)
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É fácil culpar os chineses, e os especuladores...

9 comentários:

V. A. disse...

Pois, e é por estas e por outras que eu lhe perdoo aquele lapsus linguae do Dia da raça. Porque se nós somos uma raça, só se for uma raça de pataratas que só se lembram de Santa Bárbara quando ouvem os trovões. Até aqui em Luanda, Engenheiro, já se discute, no meu apartamento (estou presa outra vez em prisão domiciliária, não posso sair daqui...) a situação em Portugal. Já vejo gente daqui a ter penas de nós. E lembro-me daquela frase não sei de quem "Os moinhos dos deuses da vingança moem devagar, mas moem..."
Enfim, estou preocupada e não é propriamente comigo.
Um abraço da V.A.

Grifo disse...

"....Apoderaram-se de mim interrogações sobre se Portugal, com os empresários e os sindicalistas que tinha, conseguiria vencer o grande desafio da união monetária.»
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(Cavaco Silva, Autobiografia Política II, p207)

Esta dúvida do nosso PR é coincidente com as por mim manifestadas em comentários deixados nesta caixa em momentos anteriores, designadamente sobre a qualidades dos nossos empresários.

Curiosamente, mereceram do CCZ uma resposta nada coincidente com o comentário ora deixado no final do seu post.

Enfim, é a vida...

V. A. disse...

Senhor Grifo, só não muda de ideias os burros ou arrogantes. Além de que nada é definitivo... Sou a Voluntária Angolana e até penso que quem é capaz de mudar de ideias e de se expor é uma pessoa de coragem. Pense nisso.
V.A

CCz disse...

Caro Grifo,
Se reparar, se pesquisar há-de verificar que é a segunda ou terceira vez que coloco esta citação neste blogue.
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Coloco-a como um desabafo.
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Pense bem nos comentários que trocámos, a minha diferença consigo passa por não acreditar que valha alguma coisa vir dizer mal de quem está no terreno.
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Se não gosta deles, se acha que consegue fazer melhor que eles, vá para o terreno e expulse-os do mercado, através da concorrência.
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A citação parece-me ajustada aos tempos que correm, mas eu, em vez de os diabolizar, penso: "Quem está mal que se mude"
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E como quem está mal sou eu, em consciência, e em coerência, tenho de agir, e opto por sair.
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Grifo disse...

Meu caro CCZ

Penso que existe aqui uma deficiência de comunicação entre nós que distorce de alguma forma o entendimento que temos sobre as qualificações médias dos nossos empresários.

Julgo ser pacífico reconhecer a correlação forte existente entre qualificações e desempenhos.

E quando eu afirmo que a qualificação média dos nossos empresários é baixa - o que é reconhecido por um já vasto conjunto de estudos sobre o assunto - não estou a dizer que eles não prestam.
Estou tão só a afirmar que uma parte do acréscimo de produtividade de que o país necessita para se desenvolver e crescer, passa por uma melhor formação desses empresários, e não exclusivamente pela formação dos trabalhadores, a quem é sistematicamente atribuida a responsabilidade pela fraca produtividade.

E depois não me acho melhor que ninguém, nem tenho pretenções de ter a chave para os problemas.
Para uma pessoa que é fertil em citações de gurus da gestão, apetece-me perguntar, quantos deles é que têm experiência própria em qualquer actividade produtiva?
Quantas empresas é que eles criaram e desenvolveram com êxito?

CCz disse...

Caro grifo,
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E que publicações suas, ou obras suas, nos pode recomendar?

Grifo disse...

Meu caro Ccz

Já percebi que o CCZ não aceita que alguém refira (eventualmente com a excepção do nosso PR) a baixa formação média dos nossos empresários como factor explicativo de parte da nossa baixa produtividade geral.

O desafio para que quem critica vá para o mercado fazer melhor que os que já lá estão, parece-me totalmente falacioso.

O CCZ saberá tão bem como eu, que a esmagadora maioria dos teoricos e autores de obras sobre temas de gestão, não tem qualquer experiência prática sobre o tema que abordam.

São na sua maioria académicos. Vivem num mundo teórico relativamente afastados da realidade. E não quero com isto dizer que as suas teses/obras não tenham validade.

E neste contexto, o CCZ, para ser coerente, deveria dar exemplos concretos das empresas criadas e geridas pelos autores que cita frequentemente ( à boa maneira académica ) para confirmar a justeza das suas afirmações.

E será que quem não tem obras publicadas não pode comentar e/ou emitir opiniões ?

Continuo a defender, sem qualquer tipo de complexos, que a qualidade dos mercados depende bastante da qualidade e da formação/informação dos seus intervenientes, e não percebo a dificuldade/recusa em reconhecer que existem grandes deficiências, a este nível, no que diz respeito à oferta ( o mesmo se poderá aplicar à procura).

Finalmente, e quanto à tese de que o mercado é o melhor árbitro na resolução destas questões, não posso deixar de referir uma célebre anedota sobre o tema :

Pergunta : Quantas pessoas são necessárias para mudar uma lâmpada num regime comunista ?
Resposta : Cinco. Uma para manusear a lâmpada e 4 para rodar a mesa sobre a qual o 1º se encontra.
Pergunta : E numa sociedade capitalista quantos são necessários?
Resposta: Nenhum. O mercado resolverá o assunto

CCz disse...

Caro grifo,
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"O desafio para que quem critica vá para o mercado fazer melhor que os que já lá estão, parece-me totalmente falacioso."
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Falacioso porquê?
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Grifo disse...

Caro CCZ

É tudo o que tem a dizer sobre o meu último comentário ?

Se o ler bem, encontra nele a resposta para a pergunta.