Durante anos, habituámo-nos a uma explicação confortável: a África foi e é explorada pela malvadez do Ocidente capitalista. A frase tem utilidade. É simples, moralmente limpa e dispensa-nos de olhar para a realidade quando ela se torna menos obediente ao guião.
O WSJ de hoje publica um artigo, "Zambia Assisted Pollution Cover Up". Segundo a investigação citada:
"Saddled by billions in debt owed to Beijing, the Zambian government helped a Chinese-owned mining giant cover up one of the worst mining-pollution incidents in the country's history, according to an investigation by a House Select Committee on China.
More than a year after a tailings dam owned by SinoMetals collapsed and unleashed toxic sludge into the Kafue River, farmlands along the river valley are scorched, hundreds of people lack a source of clean drinking water and residents continue to live on land contaminated with heavy metals."
Afinal, a exploração também fala mandarim.
Isto não absolve o Ocidente dos seus pecados históricos, nem transforma as empresas ocidentais em irmãs da caridade. Mas obriga a abandonar a catequese infantil segundo a qual há exploradores de um lado e libertadores do outro.
O que este caso parece mostrar é algo mais duro: a África pode ser explorada por quem tiver dinheiro, influência e protecção política suficientes. Ontem eram impérios europeus. Hoje podem ser multinacionais ocidentais, empresas chinesas, elites locais ou alianças convenientes entre todos eles.
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