O ponto mais interessante talvez não seja apenas saber onde estão a nascer as unidades industriais. É perceber o que o mapa revela sobre a capacidade real dos territórios para fazer indústria acontecer.
Muitas vezes discutimos a indústria a partir dos grandes conceitos: estratégia europeia, autonomia, fundos, inovação, transição energética. Mas uma fábrica nasce em condições muito concretas: terreno disponível, ligação eléctrica, licenças, água, acessos logísticos, mão-de-obra, fornecedores, previsibilidade fiscal e uma administração pública capaz de decidir em tempo útil.
Por isso, talvez este mapa não mostre apenas onde a indústria é mais barata. Mostra onde há menos atrito para produzir.
E esta é a pergunta que devia interessar a Portugal: somos um país onde uma empresa industrial consegue nascer, crescer e operar sem ser esmagada pela burocracia, pela incerteza energética, pela lentidão administrativa e pela falta de escala?
Não chega dizer que queremos reindustrializar, subir na escala de valor ou depender menos do turismo. A indústria não nasce onde há os melhores discursos sobre indústria. Nasce onde é mais fácil transformar investimento em produção.


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