segunda-feira, maio 04, 2026

Curiosidade do dia


 Em vez de "alemães", escrevam "tansos".

Hoje, na capa do Daily Telegraph pode ler-se o seguinte título: "Welfare pays more than work for 600k households".

Há algo de profundamente moderno e decadente nesta história: passámos décadas a repetir que o trabalho dignifica, para depois construirmos sistemas em que, para alguns agregados, a dignidade vem com uma perda líquida de rendimento. O artigo refere que mais de 600 mil famílias no Reino Unido receberam apoios sociais superiores ao salário anual líquido médio de um trabalhador, apesar da existência de um tecto para os benefícios. 

Claro que a resposta moralmente confortável é dizer: "ninguém quer viver de subsídios". Muitas vezes será verdade. Mas as políticas públicas não devem ser desenhadas para almas puras; devem ser desenhadas para seres humanos reais, com contas para pagar, rendas altas, filhos, incerteza e uma saudável tendência para evitar decisões economicamente idiotas.

Chama-se "Estado social", mas, quando mal desenhado, pode transformar-se num sistema anti-social porque separa quem trabalha de quem recebe, quem paga de quem decide, e quem precisa mesmo de ajuda de quem aprendeu a navegar a arquitectura dos incentivos.

"MORE than 600,000 households received more in benefits than the average worker's salary, a first-of-its-kind analysis has revealed.

The figures show that last year 625,618 households were handed over £32,200 in welfare payouts, the average annual salary of a British worker after tax, despite the introduction of a benefits cap.

The analysis by the Conservative Party also revealed that 16,000 of those households are in receipt of more than £60,000 in welfare payments, almost twice the average annual take home pay."

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