sexta-feira, maio 01, 2026
Curiosidade do dia
Há uma ideia confortável que volta sempre: fomos enganados.
No caso de José Sócrates, essa ideia aparece com frequência, quase como uma explicação suficiente para tudo o que aconteceu.
Mas dizer “fomos enganados” é um pouco como dizer que a causa de um acidente foi “erro humano”. Explica, mas não esclarece. Fecha o assunto cedo demais. Evita a pergunta mais difícil: como é que o sistema, as pessoas à volta e até o ambiente colectivo permitiram que isso acontecesse?
Quando se coloca toda a responsabilidade numa pessoa, alivia-se a de muitos outros. Não apenas de quem votou, mas sobretudo de quem estava mais perto, de quem apoiou, promoveu, defendeu, construiu a narrativa. Dizer "fomos enganados" pode ser, no fundo, uma forma de não ter de rever decisões, critérios ou até mesmo convicções.
Há momentos em que as pessoas não são apenas enganadas. Também querem acreditar. Querem que seja verdade. Querem que "o nosso" seja melhor, mais esperto, mais capaz — e que vença "os outros", custe o que custar.
É aqui que a reflexão se torna mais exigente. Não para apontar o dedo, mas para compreender melhor. Porque sem essa compreensão, a história não muda — apenas muda de protagonista.
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