sábado, abril 25, 2026

Curiosidade do dia


Ontem, o Handelsblatt, o jornal económico de referência da Alemanha, estampava na capa uma verdade incómoda: "Wachstumsbremse Kündigungsschutz - Wie das Arbeitsrecht die technologische Transformation behindert, die Deutschland so dringend braucht"

O Google Tradutor faz o serviço de tradução:
"A segurança no emprego como travão ao crescimento
Como a legislação laboral dificulta a transformação tecnológica de que a Alemanha tanto necessita" 
Acham que é montagem?
OK, podem ir aqui.

Aí, a mensagem é ainda mais forte:

Nós, em Portugal, esgotamos semanas… meses de reuniões a discutir se uma vírgula no Código do Trabalho fica antes ou depois de um "e".

Eles olham de frente para a ferida que dói. Nós fazemos teatro em torno da crosta, para não termos de a tocar.

E depois ainda queremos que nos chamem reformistas. A diferença não está na inteligência. Está na coragem de ir ao fundo da questão.

Ainda esta semana em Não vai ser fácil escrevi:
"se o futuro é o anichamento, e é, e se sabe que, ao par do anichamento, está o encolhimento das empresas," 

Enquanto uns perguntam "como é que isto limita o nosso futuro?”, nós, portugueses, perguntamos "como é que isto fica mais aceitável no presente?".

E essa diferença, subtil mas decisiva, acaba por moldar tudo o resto. 

O jogo mudou de nível. Passou de n para n+1.

E isso muda tudo.

Na Alemanha, a pergunta é simples: o que temos de fazer para jogar bem no nível n+1?

Não é confortável.

Implica mexer em regras, estruturas, hábitos.

Mas é aí que o jogo agora se joga.

Por cá, a conversa é outra.

Uns tentam defender o nível atual, o n-3, como se ainda fosse suficiente.

Outros acham mais seguro recuar para o n-4 ou n-5, onde as regras eram conhecidas. E há ainda quem, com ambição, proponha subir para o n-2, como se isso fosse progresso.

Mas não é.

Porque o jogo já não está lá.

E enquanto discutimos em que versão antiga queremos ficar, outros já estão a aprender as regras do nível seguinte.

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