terça-feira, março 17, 2026
Curiosidade do dia
Esta manhã, durante a caminhada matinal, estava a ouvir um podcast quando de repente sou surpreendido, a propósito de Epstein:
E a minha memória recua cerca de 40 anos.
Recua a um livro, "West of Eden, de Harry Harrison. Nesse romance, numa Terra alternativa que não sofreu o impacte que teria causado a extinção dos dinossauros, emergiu uma espécie reptiliana inteligente, os Yilanè. Os humanos existem, mas num nível tecnológico de idade da pedra, e o enredo inclui precisamente o encontro-conflito naquilo que corresponde à América do Norte.
Os Yilanè são apresentados como a força invasora em busca de território e recursos; os humanos são os Tanu. Entre os Yilanè, a linguagem está tão ligada ao corpo, à postura, à cor e ao movimento que pensamento, emoção e expressão tendem a andar colados. Por isso, a mentira deliberada é-lhes quase impossível. Esse traço cultural e biológico torna-os muito poderosos em ordem, disciplina e coordenação, mas também mais rígidos. Ou seja, os Yilanè são biologicamente incapazes de mentir, ao passo que os humanos conseguem fazê-lo.
A líder dos Yilanè, Vaintè, percebe, ao observar Kerrick, um jovem humano feito prisioneiro, que ele possui uma capacidade quase impensável para ela: pode dizer uma coisa e pensar outra, ocultar intenções, adaptar o discurso ao interlocutor e manipular a percepção dos outros sem que a sua interioridade fique totalmente exposta. Para uma sociedade como a dos Yilanè, isso é ao mesmo tempo útil e perturbador. Útil, porque abre uma via de intriga e manobra política que elas próprias dominam mal; perturbador, porque introduz uma forma de liberdade interior que escapa ao controlo social.
É por isso que Vaintè usa o jovem prisioneiro em seu benefício. Kerrick não é apenas um captivo exótico ou um objecto de estudo. Ele transforma-se num instrumento político: alguém que pode circular entre níveis de linguagem, compreender ordens, ocultar o que sabe e servir em jogos de influência para os quais os Yilanè estão mal equipados.
O que Bret Weinstein afirma é que o "sistema" recorre a psicopatas funcionais porque conseguem, sem hesitação nem culpa, fazer o que instituições, burocracias e elites muitas vezes querem fazer, mas preferem não assumir directamente. São úteis porque manipulam, intimidam, mentem, testam limites, suportam conflito e operam em zonas moralmente cinzentas com uma frieza que a maioria das pessoas não tem.
Interessante.
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