sábado, fevereiro 14, 2026

Curiosidade do dia

 
"In order to alleviate its acute housing affordability crisis, London has been set a target of building 88,000 new homes per year over the next decade. Last year, construction started on just 5,891 - 94 per cent below target, a 75 per cent year-on-year decline, the steepest drop in the country, the lowest tally since records began almost 40 years ago, and the lowest figure for any major city in the developed world this century."

Trecho retirado de "How London unwittingly killed housebuilding" publicado no FT de ontem. 

A causa não é simples nem ideológica. Não se trata apenas de "ganância dos promotores" nem apenas de "falta de habitação pública". O texto mostra que tanto o sector privado como o público foram afectados.

O principal factor apontado é o aumento massivo da carga regulatória após o incêndio da Grenfell Tower em 2017, incluindo novos requisitos de segurança e a criação do Building Safety Regulator (BSR), que tornou os processos de aprovação mais longos, caros e incertos.

A isto somam-se:

  • regulamentação ambiental mais exigente do que noutras cidades europeias,
  • exigências de investimento em infraestruturas locais,
  • redução do investimento estrangeiro e buy-to-let,
  • aumento da procura de terrenos para usos logísticos,
  • subida das taxas de juro e estagnação de rendimentos.

Cada medida, segurança, ambiente, infraestrutura, controlo de investimento estrangeiro, é defensável isoladamente, mas o sistema colapsa quando ninguém avalia o impacto acumulado.

O resultado é uma combinação perversa: existem centenas de milhares de casas com aprovação concedida, mas cuja construção é financeiramente inviável. Em muitos casos, projetos residenciais são abandonados e substituídos por armazéns logísticos porque a rentabilidade é superior.

O argumento central é forte: cada medida isoladamente pode ser defensável (segurança, ambiente, infraestrutura), mas a implementação descoordenada e a incapacidade de antecipar interações sistémicas destruíram a viabilidade económica da construção habitacional.

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