"The stress hormone, cortisol, is public health enemy number one. Scientists have known for years that elevated cortisol levels: interfere with learning and memory, lower immune function and bone density, increase weight gain, blood pressure, cholesterol, heart disease… The list goes on and on.Chronic stress and elevated cortisol levels also increase risk for depression, mental illness, and lower life expectancy."
sábado, fevereiro 07, 2026
Curiosidade do dia
É uma reacção instintiva.
Naquela altura eu escrevia aqui sobre o cortisol.
Há dias em que ligo a televisão e tenho a sensação de que assisto a um ritual bem ensaiado. Depois da tempestade Kristin, apanhar um canal de notícias é receita para apanhar repórteres de microfone em riste, à procura não de quem explique, enquadre ou ajude a compreender o que aconteceu, mas de quem se queixe. Quanto mais indignada, revoltada ou injustiçada for a pessoa entrevistada, melhor. A queixa tornou-se conteúdo. A reclamação, matéria-prima editorial. (Até sorri quando, há dias, em Ereira, uma senhora trocou as voltas ao jornalista da CNN e, em vez de queixa, teve um discurso adulto e até de agradecimento a quem estava a trabalhar para minimizar os inconvenientes da situação.)
À primeira vista, parece legítimo. As pessoas sofreram prejuízos, perderam bens e passaram por dificuldades. Dar-lhes voz soa a empatia. Mas há aqui algo mais profundo e mais preocupante. A exposição contínua à queixa, ao lamento, à narrativa de vitimização não é neutra. Nem para quem fala, nem para quem ouve.
A neurociência mostra-nos que reclamar não é apenas desabafar. Reclamar treina o cérebro. Cada queixa repetida reforça circuitos neuronais associados ao pensamento negativo. O cérebro aprende rapidamente: o que é usado com frequência torna-se o caminho preferencial. “Neurons that fire together, wire together.” E quanto mais curto for esse caminho, mais facilmente voltamos a ele — mesmo quando já não há tempestade nenhuma lá fora.
O problema agrava-se quando a queixa é contagiosa. Ouvir alguém reclamar durante longos períodos activa nos nossos cérebros os mesmos circuitos emocionais, por empatia (Mirror-Neurons) . Não é preciso reclamar para sofrer os efeitos; basta estar exposto. O resultado é um ambiente mental colectivo mais ansioso, mais pessimista, menos capaz de resolver problemas.
Há ainda o impacto fisiológico. Reclamar activa o cortisol, a hormona do stress (Stress is terrible for your body, too). Em doses pontuais, é útil. Em doses repetidas, é corrosiva: enfraquece o sistema imunitário, aumenta o risco cardiovascular, desgasta. Um noticiário inteiro, construído sobre indignação e queixa, funciona como uma injecção diária de stress em horário nobre.
Nada disto significa ignorar o sofrimento real ou calar quem passa por dificuldades. Significa reconhecer que há uma diferença entre dar voz e alimentar um padrão. Entre informar e viciar. Entre ajudar as pessoas a elaborar o que viveram e treiná-las, sem querer, a permanecer nesse lugar.
Depois de uma tempestade, há estragos. Mas também há reconstrução, aprendizagem, responsabilidade partilhada, escolhas melhores para o futuro. Quando os media escolhem quase exclusivamente a lente da queixa, estão a fazer mais do que relatar factos: estão a ajudar a moldar cérebros, humores e atitudes.
E isso levanta uma pergunta: estaremos a informar uma sociedade adulta — ou a mantê-la presa a um modo infantil de relação com a realidade, em que reclamar substitui pensar e lamentar substitui agir?
BTW, o evangelho da missa de quinta-feira estabelece a ponte para o sofrimento humano. Recordemos a postura católica face ao sofrimento. Na visão católica, o sofrimento não é negado, romantizado nem instrumentalizado, mas também não é absolutizado. Ele é reconhecido como parte inevitável da condição humana, num mundo imperfeito. O ponto decisivo está no que se faz com ele.
A fé cristã não propõe a queixa como resposta ao sofrimento, mas sim a transformação do sofrimento em caminho. Enquanto a lógica mediática contemporânea tende a fixar a pessoa no lugar da vítima — "o que me aconteceu", "o que perdi", "quem me deve", a postura católica olha para o sofrimento como uma ponte, não um beco sem saída. O sentido nasce quando o sofrimento é atravessado, não quando é repetido, amplificado ou exibido.
Surpreende a relação com o que a neurociência confirma hoje. A queixa repetida reforça circuitos de negatividade; a tradição cristã já intuía que ruminar o sofrimento endurece o coração. Não por castigo divino, mas por dinâmica humana. O coração fecha-se, a esperança retrai-se, a fé torna-se impossível porque já não há espaço interior.
Enquanto no mundo da queixa se pergunta "por que me aconteceu isto?", no mundo da fé somos convidados a perguntar "para onde posso ir a partir disto?"
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