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sábado, abril 11, 2026

Irrealismo

Ontem, neste tweet:

"Por seu turno, as baixas competências têm um enorme impacto na produtividade. Segundo a mais recente publicação da OCDE, Portugal seria dos países que mais poderia ver a sua produtividade melhorar se as competências/qualificações dos nossos adultos e trabalhadores melhorassem (slide 2). 

Conclusão? Investir na educação, na formação profissional e em melhores competências deveria ser uma prioridade absoluta no nosso País. Um autêntico desígnio nacional. 

Um desígnio que nos permitiria melhorar a nossa exígua produtividade e fomentar os níveis de vida dos nossos cidadãos."

Lamento, não posso concordar.

Mais competências não geram automaticamente mais produtividade. Geram, isso sim, mais potencial de produtividade. Para esse potencial se transformar em produtividade real, é preciso que existam empregos onde essas competências possam ser usadas; processos e tecnologia que permitam aproveitá-las; gestão capaz de reorganizar o trabalho e empresas com estratégia, investimento e mercado.

Então, por que é que a OCDE encontra essa relação? 

Porque, em média, trabalhadores com mais competências tendem a:

  • cometer menos erros;
  • resolver problemas mais depressa;
  • aprender novas tarefas mais facilmente;
  • usar melhor máquinas, software e procedimentos;
  • adaptar-se melhor a mudanças;
  • contribuir mais para melhoria contínua, qualidade e inovação.

No entanto, recordo a imagem deste postal, "A brutal realidade de uma foto", por mais formação e competência que se dê a um trabalhador que está a fazer um trabalho que gera margens de "caca", o resultado na produtividade vai ser de "caca", não há volta a dar.

E volto aos Flying Geese:


É claro que não sou contra a formação, mas pensar que é a formação, sozinha, que vai alavancar o aumento de produtividade de que Portugal precisa é irrealista. 



 

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